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    MPF abre apuração contra governador de SC após discussão com indígenas em barragem

    10 hours ago

    Governador de SC discute com indígenas, irrita-se e ofende manifestante O Ministério Público Federal (MPF) abriu uma notícia de fato para investigar os relatos de uma discussão entre o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), e um grupo de manifestantes indígenas de José Boiteux, no Vale do Itajaí. O caso ocorreu em 8 de julho durante uma visita do chefe do executivo à barragem local que passa por uma obra e fica dentro do território tradicional do povo Xokleng. Na ocasião, ele chegou a se dirigir a um grupo de manifestantes com a frase "Vai para a put* que o pariu". ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp Na época, o governo de Santa Catarina declarou em nota que "um grupo de indígenas se aproximou do local em protesto, com cartazes e reivindicações diversas, incluindo pautas de responsabilidade federal e temas que não estão diretamente ligados ao governo do estado". O comunicado, porém, não faz referências às ofensas proferidas pelo governador (confira a íntegra da nota no final da reportagem). O g1 entrou em contato novamente com o governo do estado e não havia obtido retorno até a última atualização desta reportagem. Governador de SC discute com indígenas e ofende manifestantes em barragem O MPF não divulgou mais informações sobre a notícia de fato. Porém, o Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) enviou um ofício à Procurador-Geral da República (PGR) pedindo a instauração de um procedimento de investigação para entender o que ocorreu em 8 de julho. O MPF informou que já recebeu outras manifestações sobre o caso, mas que não localizou o pedido do CNDH. No ofício, o Conselho afirmou que "A liberdade de expressão de agentes políticos não elimina a responsabilidade pelas manifestações realizadas no exercício da função pública. O debate político admite crítica enérgica, mas não autoriza que o Estado humilhe, intimide ou discrimine pessoas e coletividades em razão de sua identidade, de sua organização ou do exercício pacífico de direitos fundamentais". Governador Jorginho Mello xinga indígenas durante protesto na barragem de José Boiteux Reprodução Vídeo mostra discussão entre governador e manifestantes em barragem A primeira situação ocorreu enquanto o governador concedia uma entrevista, afirmando que estava "restaurando tudo que foi destruído pelos indígenas". Em seguida, Jorginho interrompeu a própria fala, olhou na direção dos manifestantes e disse: "Vai para a put* que o pariu". Ao retomar a entrevista, Jorginho disse que o governo "nunca esteve em uma fase tão boa". Uma mulher questiona as falas dele e o governador a rebate: "a senhora não quer ir à merda"? A mulher responde que é cacique e exige respeito. O governador, por sua vez, pergunta: "e eu com isso?". Barragem é alvo de polêmicas desde a década de 1990 A barragem é alvo de polêmicas desde sua origem, na década de 1990. À época, o governo federal ficou responsável pela construção dentro de uma terra indígena legalmente demarcada. No entanto, ficou sob a responsabilidade estadual fazer a operação da barragem quando chove. O problema é que não se definiu quem arcaria com as perdas sofridas pelos moradores das aldeias e a situação virou tema de impasses entre os dois lados. Após mais de 20 anos de discussões e com a necessidade de operação da barragem, o governo estadual se comprometeu a construir casas e outras estruturas como forma de compensação à comunidade local para atuar na área. A chamada Barragem Norte é a maior de Santa Catarina e fica em uma região que historicamente sofre com alagamentos e enchentes. A estrutura construída é um instrumento para contenção das cheias que eventualmente atingem Blumenau, a mais importante cidade da região, e municípios vizinhos. Barragem Norte, em José Boiteux Mauricio Vieira/Secom/Divulgação O que diz o governo de SC Nesta quarta-feira, 8 de julho, o governador Jorginho Mello acompanhou de perto a reforma da Barragem de José Boiteux, uma obra aguardada há mais de 20 anos e considerada estratégica para a segurança de milhares de moradores do Vale do Itajaí. Durante a visita, um grupo de indígenas se aproximou do local em protesto, com cartazes e reivindicações diversas, incluindo pautas de responsabilidade federal e temas que não estão diretamente ligados ao Governo do Estado. A atual gestão destaca que foi a primeira, depois de três décadas, a assumir efetivamente a manutenção da barragem e a avançar no cumprimento de um acordo firmado há cerca de 20 anos entre Governo Federal, Governo Estadual e comunidades indígenas. Pelo acordo judicial, estavam previstas 20 casas. No entanto, a gestão estadual decidiu ampliar essas melhorias previstas. Fazem parte das obras acordadas a construção de 91 casas, duas igrejas e duas casas pastorais: R$ 14,6 milhões; implantação e macadamização da estrada que liga a Aldeia Bugio ao município de José Boiteux, com extensão de 7,5 quilômetros e construção de uma ponte: R$ 7 milhões; construção da escola da comunidade indígena: R$ 6,5 milhões; construção de museu, campo de futebol e sanitários: R$ 5,5 milhões; projeto da escola e do museu: R$ 217 mil. Ao todo, o Estado está aplicando cerca de R$ 34 milhões em melhorias estruturais na Terra Indígena Ibirama-La Klãnõ, onde está localizada a Barragem Norte, de José Boiteux, cumprindo uma determinação judicial da década de 90 que deveria ter sido executada pelo Governo Federal, por meio da Funai, mas foi negligenciada desde então. Mesmo diante das manifestações, o Governo afirma que vai manter o cronograma da reforma da barragem e das casas, por entender que as obras são essenciais para proteger vidas e reduzir os riscos de enchentes no Vale do Itajaí. VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias
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