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    Acidente Voepass: Cenipa diz que avião teve falha em sistema de degelo na véspera da queda, e tripulação não registrou

    1 day ago

    Cenipa divulga resultado final da investigação sobre acidente com avião da Voepass em Vinhedo Gabriella Ramos/g1 O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) afirmou nesta quinta-feira (23), durante a apresentação do relatório final sobre o acidente aéreo da Voepass, em Vinhedo (SP), que avião que caiu apresentou falhas no sistema de degelo em voo na véspera. Esse erro, no entanto, não foi registrado em diário de bordo pela tripulação. A queda do avião matou 62 pessoas em agosto de 2024. A apresentação do relatório final é conduzida pelo tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, investigador encarregado pelo Cenipa para conduzir a investigação. Fróes afirmou que, em voo na véspera da queda, o avião apresentou uma falha no sistema responsável por eliminar o gelo acumulado nas asas. A tripulação, no entanto, não registrou esse problema em diário de bordo após o pouso. Além disso, ele apontou que havia uma "cultura de normalização de desvios". O relatório final reúne as conclusões da investigação técnica conduzida pela Força Aérea Brasileira (FAB) para identificar os fatores que contribuíram para o acidente. Os investigadores analisaram, entre outras coisas, os conteúdos das duas caixas-pretas (gravador de voz da cabine e gravador de dados de voo) e das condições meteorológicas registradas no dia do acidente. Também realizaram exames nos motores, nos sistemas de degelo e de proteção contra estol, além de realizarem um voo experimental com outro ATR 72-500 - veja o que foi feito abaixo. LEIA TAMBÉM: EXCLUSIVO: avião teve falha omitida em diário de bordo horas antes de decolar, diz testemunha Áudios inéditos mostram conversas entre pilotos e controle aéreo minutos antes da queda Bilhete de amor, terço e alianças: objetos saem intactos da tragédia e viram relíquias para famílias enfrentarem saudade Em agosto de 2024, um mês depois do acidente, o Cenipa divulgou um relatório preliminar que já apontava que, menos de dois minutos antes de o ATR cair, um alerta na cabine avisou a tripulação que o gelo prejudicava o desempenho da aeronave e que os pilotos comentaram sobre um problema no sistema antigelo logo no início do voo. Relembre aqui. O que foi analisado pelo Cenipa? Tragédia da Voepass: vídeo mostra como foi acidente de avião em Vinhedo Entre os principais trabalhos realizados estão: análise das duas caixas-pretas (gravador de voz da cabine e gravador de dados de voo); reconstrução completa do voo, incluindo comandos feitos pelos pilotos e alertas emitidos pela aeronave; exames nos motores e nos sistemas de degelo e de proteção contra estol; análise das condições meteorológicas registradas no dia do acidente; entrevistas com pilotos, mecânicos, despachantes e familiares dos tripulantes; estudo de mais de 15 mil voos realizados por aeronaves da mesma frota da companhia; testes em simuladores e um voo experimental com outro ATR 72-500; análise de registros de manutenção, certificados médicos dos pilotos e outros documentos técnicos; análise de equipamentos responsáveis pelo controle de diferentes sistemas da aeronave; análise das lâmpadas dos painéis do avião para verificar quais estavam acesas no momento da queda. Revisão internacional Caixa preta da aeronave que caiu em Vinhedo (SP). Divulgação/FAB Antes da divulgação, o relatório passou pelas etapas previstas no protocolo internacional para investigações de acidentes aeronáuticos. O documento foi analisado: pelo Bureau d'Enquêtes et d'Analyses pour la Sécurité de l'Aviation Civile (BEA), da França, país responsável pelo projeto e fabricação do ATR 72-500; e pelo Transportation Safety Board (TSB), do Canadá, responsável pelo projeto dos motores da aeronave. Investigação criminal também está na reta final Familiares das vítimas do voo 2283 e advogados em reunião na Delegacia da Polícia Federal, em Campinas (SP) Arquivo pessoal Paralelamente ao trabalho do Cenipa, a Polícia Federal conduz um inquérito para apurar se houve crimes e eventuais responsáveis pela tragédia. A expectativa da PF é finalizar ainda em agosto. No fim de junho, representantes das famílias tiveram acesso pela primeira vez à transcrição das conversas registradas na cabine da aeronave. O documento integra o laudo produzido pelo Instituto Nacional de Criminalística (INC), que embasa o inquérito da PF. As conversas eram aguardadas porque poderiam ajudar a esclarecer os momentos finais do voo, incluindo se os pilotos comentaram ou acionaram o sistema de degelo — uma das hipóteses investigadas desde o acidente. Segundo os advogados que representam os familiares, a expectativa é que a Polícia Federal conclua o inquérito em breve e encaminhe o caso ao Ministério Público Federal (MPF). O relatório poderá embasar eventuais indiciamentos. O que diz a Voepass Em nota, a Voepass afirmou que a queda do voo 2283 foi "o episódio mais difícil" da história da companhia e disse seguir prestando apoio psicológico às famílias das vítimas. A empresa declarou que colaborou com as investigações desde o início, reafirmou que sua frota "sempre esteve aeronavegável e apta a realizar voos", conforme os padrões internacionais, e sustentou que apenas o relatório final do Cenipa poderá apontar, de forma conclusiva, as causas do acidente. Relembre o acidente Protesto de familiares das vítimas da queda de avião em Vinhedo Gabriella Ramos/g1 O voo 2283 da Voepass caiu na tarde de 9 de agosto de 2024 em um condomínio de Vinhedo, durante o trajeto entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP). As 62 pessoas a bordo - 58 passageiros e quatro tripulantes - morreram. Foi o acidente aéreo mais grave do Brasil desde o desastre com o voo da TAM, em 2007. Logo após a tragédia, duas investigações foram abertas. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) passou a apurar os fatores que contribuíram para a queda e indicar medidas para evitar novos acidentes. Já a Polícia Federal iniciou um inquérito para apurar se houve crime e produzir um laudo próprio sobre o caso, já que o relatório do Cenipa não pode ser usado para responsabilização criminal. Um mês depois, o Cenipa divulgou o relatório preliminar da investigação. O documento confirmou que a aeronave enfrentou condições severas de formação de gelo e registrou que a tripulação relatou uma possível falha no sistema antigelo durante o voo. Também mostrou que o sistema foi acionado e desligado várias vezes ao longo da viagem, mas sem concluir se isso ocorreu por ação dos pilotos ou por outro motivo. O relatório, porém, não apontou a causa do acidente. Enquanto as investigações avançavam, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) suspendeu as operações da Voepass, em março de 2025. Três meses depois, cassou o Certificado de Operador Aéreo (COA) da empresa, impedindo a companhia de operar voos comerciais. Na semana em que a tragédia completou um ano, o g1 publicou reportagens exclusivas sobre o caso. Uma delas revelou o relato de um ex-funcionário da Voepass de que um piloto havia informado verbalmente, horas antes do acidente, falhas no sistema antigelo durante um voo anterior, mas que o problema não foi registrado no diário técnico da aeronave. O g1 também publicou os áudios das conversas entre piloto e copiloto nos minutos que antecederam a queda. Em 30 de junho de 2026, familiares das vítimas tiveram acesso pela primeira vez às transcrições das conversas gravadas na cabine durante uma reunião com a Polícia Federal. Quase dois anos depois da tragédia, o Cenipa concluiu as investigações e divulgou o relatório final, que reúne a análise técnica do acidente e recomendações para aumentar a segurança da aviação e evitar novas tragédias. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas
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