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    Três anos depois, dono de clínica e engenheiro viram réus por morte de casal de idosos prensado por elevador no RS

    8 hours ago

    Idosos sofrem acidente em elevador de clínica em Montenegro, no RS O proprietário de uma clínica de saúde de Montenegro e o engenheiro responsável pelo elevador onde um casal de idosos morreu em 2023 se tornaram réus por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. A denúncia foi recebida pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) no último dia 24. Eles foram identificados como Rogerio de Barros Macedo e Ivan de Petinga de Cerqueira Filho. O g1 entrou em contato com o advogado Gustavo Harres de Oliveira, que representa os réus, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp O caso Conforme a investigação, as vítimas, Erineu Alves e Alsira Guilherme de Jesus de Souza, de 92 e 83 anos respectivamente, chegaram à clínica em 19 de julho de 2023 para uma consulta marcada no andar superior do prédio. Erineu morreu após acidente com elevador em clínica, em Montenegro. Reprodução/Redes Sociais Segundo o Ministério Público, a porta do elevador no térreo abriu normalmente e o casal entrou no equipamento. No entanto, a cabine não estaria no local, mas parada no piso de cima. Após o fechamento da porta, a estrutura teria começado a descer e atingido os idosos. O homem morreu no mesmo dia em decorrência dos ferimentos sofridos, conforme apontou o laudo de necropsia. Já a mulher permaneceu internada e morreu cerca de um mês e meio depois em razão das lesões causadas pelo acidente. Investigação e denúncia Elevador foi interditado e passou por perícia na clínica. Idosos foram atingidos por equipamento e internados em estado grave Divulgação/Polícia Civil De acordo com a denúncia, uma perícia identificou que o sistema responsável por impedir a abertura da porta quando a cabine não estivesse no andar encontrava-se sem funcionamento. Os peritos constataram ainda a instalação de uma mola com resistência mais de 17 vezes abaixo da exigida para o equipamento, o que teria permitido a abertura da porta mesmo sem a presença da cabine. O Ministério Público também aponta que o engenheiro deixou de emitir a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) durante os serviços de manutenção realizados no elevador. O documento, obrigatório nesses casos, só teria sido providenciado após a tragédia. Para a Promotoria, o engenheiro agiu com negligência e imperícia ao permitir que o equipamento continuasse em operação nessas condições. Em relação ao proprietário da clínica, segundo o MP, o entendimento é de que houve negligência ao manter o elevador em funcionamento apesar dos problemas apresentados. As apurações indicaram que funcionários e pacientes já haviam relatado falhas no equipamento antes do acidente. Mesmo diante dos registros de defeitos recorrentes, segundo o MP, o responsável pela clínica não teria suspendido o uso do elevador nem adotado medidas eficazes para corrigir os problemas. O promotor afirmou que a conclusão do caso exigiu aprofundamento da investigação. Inicialmente, o engenheiro havia sido indiciado pela Polícia Civil. No decorrer das diligências solicitadas pelo MP, surgiram elementos que indicariam que os defeitos do elevador eram de conhecimento do proprietário da clínica. "A apuração apontou que a negligência de ambos teve papel decisivo para a ocorrência da tragédia", pontua o promotor Thiago Loureiro Pires de Abreu. Além da condenação pelos dois homicídios culposos, o Ministério Público pediu à Justiça que seja fixado um valor mínimo de indenização por danos morais e materiais aos familiares das vítimas. VÍDEOS: Tudo sobre o RS
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