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    Suprema Corte dos EUA vai decidir se prisões de imigrantes no governo Trump são ilegais

    7 hours ago

    A Suprema Corte dos EUA concordou, na quinta-feira, em analisar uma disputa sobre uma política do governo do presidente Donald Trump que submete milhões de imigrantes em situação irregular nos Estados Unidos à detenção obrigatória durante seus processos de deportação. Nesta mais recente batalha jurídica sobre a política de imigração linha-dura de Trump a chegar à mais alta instância do Judiciário dos EUA, os magistrados enfrentam uma questão que dividiu tribunais de instâncias inferiores, à medida que inúmeras ações judiciais movidas por migrantes e grupos de defesa dos direitos dos imigrantes contestavam a medida. Os magistrados aceitaram o recurso do governo contra uma decisão de instância inferior que havia contrariado a política. A Corte analisará o caso em seu novo ano judiciário, que começa na segunda-feira. Em julho de 2025, o Departamento de Segurança Interna dos EUA emitiu novas diretrizes para autoridades federais de imigração, anunciando que imigrantes em situação irregular nos EUA estariam sujeitos à detenção obrigatória — sem direito a audiência para fixação de fiança — durante todo o trâmite de seus processos de deportação, os quais podem levar meses ou até anos para serem concluídos. A diretriz representou uma mudança em relação a uma interpretação da lei federal vigente há quase três décadas, segundo a qual imigrantes que já residiam nos EUA poderiam ser libertados mediante fiança enquanto aguardavam o julgamento de seus casos na corte de imigração. A política contestada é uma das várias medidas adotadas pelo governo em busca do objetivo de Trump de realizar deportações em massa. O presidente republicano tem implementado uma repressão abrangente à imigração — uma de suas principais prioridades — desde que retornou ao cargo no ano passado. Imigrantes detidos sob essa política moveram dezenas de milhares de ações judiciais buscando sua libertação. Uma análise da Reuters realizada em fevereiro constatou que centenas de juízes em todo o país haviam decidido, em mais de 4.400 ocasiões, que o governo Trump havia detido tais imigrantes de forma ilegal. Divisão entre tribunais de apelação O grande volume de litígios gerou uma divisão entre os tribunais federais de apelação. Em fevereiro, o Tribunal de Apelações do 5º Circuito dos EUA, sediado em Nova Orleans, decidiu a favor de Trump por 2 votos a 1. Ao reverter decisões que haviam resultado na libertação de dois homens mexicanos, a juíza federal de circuito Edith Jones escreveu que as decisões de governos anteriores de não utilizar a detenção obrigatória — como Trump está fazendo — "não significam que eles não tivessem autoridade para agir de forma mais rigorosa". A decisão do 5º Circuito motivou um recurso à Suprema Corte por parte de Victor Buenrostro-Mendez e Jose Padron Covarrubias, dois cidadãos mexicanos que entraram ilegalmente nos Estados Unidos em 2009 e 2001, respectivamente, e foram detidos por autoridades de imigração no ano passado sob a vigência dessa política. Em uma fase anterior do processo judicial, ambos convenceram juízes de instâncias inferiores de que tiveram negadas, indevidamente, audiências para definição de fiança. Ambos tentaram contestar a tentativa do governo de deportá-los. A legislação federal permite tais contestações por parte de imigrantes que residam continuamente nos Estados Unidos há pelo menos uma década, não possuam antecedentes criminais impeditivos e possam demonstrar que um cidadão americano ou um familiar com status de residente permanente legal (portador de "green card") sofreria graves dificuldades caso eles fossem deportados. A maioria dos tribunais federais de apelação que analisou a política decidiu contra ela. Decisões contrárias à medida, proferidas pelo Tribunal de Apelações do 2º Circuito (sediado em Nova York) e pelo Tribunal de Apelações do 6º Circuito (sediado em Cincinnati), levaram o governo a recorrer à Suprema Corte. A Suprema Corte, que conta com uma maioria conservadora de 6 votos a 3, permitiu a implementação de várias políticas de imigração de linha dura adotadas por Trump. A Corte já tem programada a análise de argumentos relativos a outro caso importante sobre imigração durante o atual período de sessões. Na terça-feira, a Corte permitiu que o governo retomasse, por enquanto, a deportação acelerada de migrantes para países que não os seus de origem, sem oferecer-lhes a oportunidade de demonstrar os riscos ou danos que poderiam enfrentar. Os magistrados agendaram a audiência de argumentos desse caso para dezembro.
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