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    'Sou o resultado da luta de muitas gerações', diz primeiro professor quilombola da história da UFRGS

    2 months ago

    UFRGS tem primeiro professor quilombola da história da universidade Jorge Amaro de Souza Borges nasceu em Mostardas, Litoral Norte, dez anos antes da Constituição de 1988. Época em que o acesso à educação era limitado para pessoas negras, pobres e quilombolas. Mas nenhuma barreira social impediu Jorge de ocupar espaços e se tornar o primeiro professor quilombola da história da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Graduado em Biologia, mestre em Educação, doutor em Políticas Públicas e com três especializações, o professor afirma que a primeira formação começou antes mesmo dele entrar numa sala de aula. “A minha relação com a educação nasce, antes de tudo, da oralidade, algo muito presente nas comunidades quilombolas. Eu fui formado, inicialmente, pela escuta”, relembra. Nascido no Quilombo dos Teixeiras, num contexto marcado pelo analfabetismo, o professor cresceu ouvindo histórias de uma figura emblemática: um homem conhecido como “Totoca”. “Sempre falavam dele com muito orgulho. Diziam que era um homem que sabia ler, escrever, que dominava a matemática, que era agrimensor, carpinteiro, que fazia canga de boi, roda de carreta. Um homem de múltiplos saberes. Aquilo me fascinava profundamente. E o mais significativo é que o Totoca era o meu avô”, conta. Inspirado pelas histórias sobre o avô, Jorge desejava ser como ele. “Desde muito pequeno, eu dizia que queria ser o “Totoquinha”. Queria ler, escrever, compreender o mundo”, completa. Hoje, a posição de professor da UFRGS é celebrada com orgulho pela comunidade quilombola. Para ele, ocupar esse espaço não é uma conquista individual, mas um marco coletivo. “Sou o resultado da luta de muitas gerações! Quando um quilombola ocupa esse espaço, ele não chega sozinho. Ele chega com a força de uma ancestralidade que resistiu ao longo dos séculos, com a memória das comunidades que lutaram pelo direito à terra, à educação, à dignidade. Eu carrego comigo o Quilombo dos Teixeiras e todo Litoral Negro, carrego as histórias que ouvi na infância e carrego as mãos que me sustentaram quando tudo parecia improvável”, finaliza. Primeiro professor quilombola da história da UFRGS. Jorge Amaro/Instagram/Reprodução VÍDEOS: Tudo sobre o RS
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