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    'Se o presidente da República pode sofrer impeachment, o ministro do Supremo também não pode?', diz Tarcísio em sabatina

    6 hours ago

    O candidato do Republicanos ao governo de SP, Tarcísio de Freitas, em sabatina na rádio CBN. Maria Isabel Oliveira / O Globo / Divulgação O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu nesta quinta-feira (20) a possibilidade de ministros da Corte responderem a processos de impeachment. Candidato à reeleição, ele é conhecido por atuar como interlocutor entre o bolsonarismo e o Supremo Tribunal Federal (STF) em momentos de maior tensão institucional. Em sabatina promovida pelos jornais O Globo e Valor Econômico e pela rádio CBN, o governador afirmou que o mecanismo está previsto na legislação e deve ser tratado como um instrumento institucional, sem personalização do debate. Ao ser questionado sobre pedidos de impeachment contra integrantes do STF, Tarcísio disse que o tema deve ser analisado sob a ótica dos mecanismos previstos na Constituição. "O instrumento é válido? É válido. Ele existe, está regulamentado? Existe", declarou. Depois, ele fez uma comparação com o afastamento de presidentes da República. "Olha, o presidente da República não pode sofrer impeachment? Pode. Nós tivemos dois que sofreram. Ora, se o presidente da República pode sofrer impeachment, o ministro do Supremo também não pode? Pode, desde que também o devido processo aconteça", disse. A queda de braço entre os Poderes começou durante o governo de Jair Bolsonaro e voltou ao centro do debate após a prisão do ex-presidente. Candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro transformou o tema em uma das bandeiras de sua campanha. “Um dos principais fatores que tem que ser levado em consideração na hora de escolher seu senador é: você é a favor ou contra o impeachment de ministros do Supremo? Não tenho dúvida de que o Senado, que vai ter dois terços renovados, será majoritariamente a favor dessa pauta”, disse ele em abril, durante evento no Rio Grande do Sul. O filho do ex-presidente também fez outras críticas mais amplas ao tribunal e chegou a defender uma reforma no Judiciário. Agora no g1 Centrão No insabatina, Tarcísio afirmou que a prioridade dos partidos do Centrão é “fazer bancada”. A declaração ocorre em meio à estratégia de partidos do Centrão de priorizar alianças regionais e não necessariamente fechar uma posição única para a eleição presidencial. Segundo Tarcísio, os partidos têm privilegiado a formação de suas bancadas de acordo com as realidades políticas de cada região do país. Ele citou diferenças entre as alianças no Norte e Nordeste e no Sul e Sudeste. “Temos vários parlamentares que preferem estar mais próximos ao PT e ao presidente Lula no Nordeste. Tem parlamentares que preferem estar juntos do Flávio Bolsonaro no Sudeste”, afirmou. Para o governador, os partidos optaram por deixar os parlamentares “à vontade” para se posicionar de acordo com as alianças locais, em uma estratégia para obter o maior número possível de cadeiras no Legislativo. “A gente perdeu a capacidade de estabelecer consensos no Brasil. Houve o tempo em que os partidos organizavam a política e a gente perdeu esse tempo. Então hoje a política se desorganizou e, quando a política se desorganiza, as instituições se desorganizam juntas”, disse Tarcísio. Fim da reeleição Durante a sabatina, o governador afirmou acreditar que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) cumprirá a promessa de acabar com a reeleição caso seja eleito. Apesar de ser candidato à reeleição, Tarcísio defendeu a medida como um instrumento para ampliar a alternância de poder e reduzir a influência dos cálculos eleitorais “Acredito que o Flávio sendo eleito, ele vai honrar porque ele inclusive é signatário da PEC”, disse. Em março, Flávio Bolsonaro protocolou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da reeleição para presidente da República. Ao comentar o tema, Tarcísio argumentou que a possibilidade de disputar um novo mandato pode levar governantes a evitar decisões impopulares. “Alguma coisa deixa de ser feita porque aquele incumbente começa a pensar: ‘Puxa, eu tenho que me reeleger. Eu não posso fazer isso. Isso é impopular’ e a gente precisa de pessoas que tomem o desgaste, que façam aquilo que precisa ser feito”, disse. Questionado sobre a relação da proposta com uma eventual disputa presidencial em 2030, Tarcísio negou que a iniciativa tenha ligação com seu futuro político e afirmou que o gesto de Flávio favorece a renovação no sistema político.
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