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    Psicólogos concordam sobre importância de fazer pausas na rotina: 'Descanso não é luxo, é necessidade'

    2 months ago

    Felca explica o prejuízo de desaprender a descansar. Parar deveria ser simples. Mas, para muita gente, descansar virou um desafio. Mesmo fora do trabalho ou dos estudos, a cabeça continua ocupada: tarefas pendentes, contas, compromissos. A sensação de que é preciso estar sempre produzindo transforma o tempo livre em um espaço tomado por culpa — como se relaxar fosse sinônimo de desperdício. FELCA INVESTIGOU O TEMA NO FANTÁSTICO. VEJA O VÍDEO ACIMA. Para psicólogos, esse comportamento é um reflexo direto do ritmo atual de vida. “Nós vivemos numa época com muitos estímulos, muita gente apressada, querendo para ontem o que pode ser feito com calma”, afirma o psicólogo Diogo Arnaldo Correa, da PUC-SP. Nesse cenário, a pausa deixa de ser parte natural da rotina e passa a ser evitada. A cobrança constante por produtividade e desempenho torna difícil simplesmente parar — mesmo quando o corpo e a mente pedem descanso. Especialistas, no entanto, são enfáticos: descansar não é opcional. “Se existe um antídoto pro cansaço, ele se chama descanso, ele se chama pausa”, diz Correa. Ainda assim, muita gente resiste. O medo de “ficar para trás” ou perder algo importante alimenta um estado de alerta contínuo, que impede o relaxamento até nos momentos de lazer. Outro ponto central é a confusão entre tempo livre e descanso. Ter algumas horas disponíveis não significa, necessariamente, recuperar energia. “Lazer é a oportunidade de contemplar aquilo que passa despercebido no dia a dia”, explica o psicólogo. Na prática, isso significa estar presente — algo que nem sempre acontece quando a mente continua presa às obrigações. Estudos ajudam a dimensionar o problema. Uma pesquisa da Universidade de Tóquio mostrou que o impacto do estresse não depende apenas da carga de trabalho, mas da capacidade de se desligar dele. Pessoas que conseguem fazer pausas de verdade têm mais energia, cometem menos erros e são mais produtivas. O contrário também é verdadeiro: quem não consegue descansar entra em um ciclo de desgaste. A pessoa não recupera energia, rende menos, sente culpa e tenta compensar pensando ainda mais em trabalho — o que só aumenta o cansaço. Para quebrar esse padrão, especialistas apontam um caminho: reconhecer o descanso como parte essencial da rotina, e não como recompensa. Atividades simples, como assistir a um filme ou ouvir música com atenção, já ajudam a reconectar corpo e mente. “Lazer com a mente em outro lugar é só tempo livre”, resume Felca. Ciclo vicioso de quem "não sabe descansar": resultado de uma pesquisa da Universidade de Tóquio. Reprodução/TV Globo/Fantástico
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