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    Polícia investiga se cirurgia feita por engano levou à morte de idosa e como ocorreu troca de pacientes em hospital de Campinas

    17 hours ago

    Jandira Marina Dias Braga, paciente com câncer, passou por cirurgia destinada a outra pessoa no Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas (SP), e morreu três dias depois. Reprodução/EPTV A Polícia Civil de Campinas (SP) confirmou, nesta sexta-feira (24), que investiga quem são os responsáveis pela cirurgia realizada por engano em Jandira Marina Dias Braga no Hospital Beneficência Portuguesa, e se o procedimento teve relação com a morte dela. Segundo o delegado-chefe do Deinter-2, Oswaldo Diez Jr., o inquérito foi aberto depois que a neta da paciente registrou boletim de ocorrência e prestou depoimento no 1º Distrito Policial da cidade, nesta quinta-feira (23). O caso foi registrado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. ➡ Jandira tinha 76 anos e morreu três dias depois de passar por uma gastrostomia endoscópica por engano, em 8 de julho. Ela estava internada para tratar uma obstrução intestinal causada pela volta de um câncer de cólon. 🔍 A gastrostomia é um procedimento que coloca uma sonda diretamente no estômago para alimentar o paciente ou drenar líquidos acumulados. A polícia pretende ouvir os profissionais que participaram do atendimento de Jandira, desde a internação até a cirurgia, para entender como ocorreu a troca de pacientes e qual foi a participação de cada pessoa no caso. O hospital admitiu o erro, informou que abriu uma sindicância interna e adotou medidas administrativas contra os profissionais envolvidos, incluindo demissões. Em nota, também afirmou que uma avaliação médica concluiu que a cirurgia "não alterou o prognóstico da paciente" - leia na íntegra abaixo. LEIA TAMBÉM: Família de idosa que morreu 3 dias após ser operada por engano diz que hospital citou 'benefício clínico' em procedimento Neta de idosa que morreu 3 dias após ser operada no lugar de outra pessoa diz que vai à Justiça: 'Prometi que não deixaria quieto' Investigação de conselhos O caso também passou a ser analisado pelo Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) e pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp). Não há previsão para a conclusão da investigação dos conselhos. Nesta quinta (23), o Cremesp instaurou uma sindicância para apurar a conduta dos médicos. Já o Coren-SP informou que iniciou os procedimentos de apuração previstos na Resolução Cofen nº 706/2022 e que, até o momento, não recebeu denúncia formal do Hospital sobre o caso. 🔍 A Resolução Cofen nº 706/2022 estabelece as regras para a investigação e o julgamento de possíveis infrações éticas cometidas por profissionais de enfermagem. A norma define como os Corens devem conduzir a apuração, desde o recebimento da denúncia até a decisão final, garantindo o direito de defesa e o devido processo legal. Quem era Jandira Quem era idosa que morreu 3 dias após passar por cirurgia por engano: 'Muito querida' Segundo a neta da vítima, a dentista Camila Dias Barozzi, Jandira era o centro das reuniões familiares. "Ela era a pessoa que unia todo mundo, casa de vó. Então, hoje, o que eu sinto só é um vazio, um silêncio, e a falta de um colo, que eu sei que era o melhor do mundo", disse. "Minha avó era uma pessoa muito boa e muito querida. Eu acho que a última vontade que foi de não deixar ela sofrer foi o que a gente fez [...] o importante é que a gente não queria ver ela sofrer em cima de uma cama de hospital. Acho que ela está num um lugar bem melhor", contou a neta. ➡ Há 12 anos, Jandira foi diagnosticada com câncer de cólon e, na época, passou por uma cirurgia de urgência. Ela fez a remoção do tumor, utilizou bolsa de colostomia e concluiu o tratamento com quimioterapia. Segundo a família, o quadro evoluiu bem, sem metástase, e a paciente recebeu alta. Em maio de 2026, ela voltou a apresentar dores abdominais e buscou atendimento. Exames indicaram um novo câncer primário, sem metástase, e a oncologista havia encaminhado o início de uma nova quimioterapia. Para a família, o erro interrompeu a chance de um tratamento bem-sucedido. "Estava tudo encaminhando para iniciar uma nova quimioterapia, que segundo a oncologista dela, era um câncer sem metástase, então ele ia dissolver e ela ia ter de novo uma vida normal", disse a neta. Cirurgia feita por engano Paciente passa por cirurgia destinada a outra pessoa e morre 3 dias depois em hospital Segundo registros do prontuário obtidos pela EPTV, afiliada da TV Globo, a troca de pacientes só foi descoberta ao final da cirurgia, durante a passagem de plantão, quando funcionários notaram que a paciente correta continuava no quarto. Segundo Camila, a direção alegou que a intervenção trouxe "benefício clínico" porque permitiu que fluidos associados à obstrução do intestino fossem drenados. A família contesta essa avaliação e afirma que o quadro de saúde da idosa piorou após a cirurgia. Registros médicos indicam que, no dia seguinte, Jandira apresentou confusão mental, queda da pressão arterial, redução da oxigenação e alteração no ritmo cardíaco, sendo transferida para a UTI. Ela morreu em 11 de julho, após a adoção de cuidados paliativos. O que disse o hospital? Jandira Marina Dias Braga, paciente com câncer, passou por cirurgia destinada a outra pessoa no Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas (SP), e morreu três dias depois. Reprodução/EPTV Em nota, o hospital Beneficência Portuguesa informou que identificou um "evento adverso relacionado à assistência prestada a uma paciente", abriu sindicância interna, acionou os conselhos profissionais competentes e adotou medidas administrativas em relação aos profissionais envolvidos. Leia abaixo. "O Hospital Beneficência Portuguesa de Campinas informa que identificou a ocorrência de um evento adverso relacionado à assistência prestada a uma paciente. Assim que a situação foi constatada, a instituição adotou as medidas assistenciais necessárias, comunicou os familiares e prestou todo o suporte necessário ao longo da assistência. A avaliação médica e técnica realizada após o ocorrido concluiu que o procedimento realizado não alterou o prognóstico da paciente. Desde a identificação do ocorrido, o Hospital instaurou sindicância interna para apuração rigorosa dos fatos, com o objetivo de identificar as circunstâncias da ocorrência e revisar os protocolos de segurança adotados pela instituição. O caso já foi encaminhado aos conselhos profissionais competentes e foram adotadas medidas administrativas em relação aos profissionais envolvidos, incluindo desligamentos. Como resultado da apuração, o Hospital reforçou seus protocolos e fluxos de segurança assistencial, reafirmando seu compromisso com a qualidade do atendimento, a segurança do paciente, a transparência e a melhoria contínua de seus processos. O Hospital lamenta profundamente o ocorrido e permanece à disposição." VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas
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