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    Médico indiciado por morte de menino picado por escorpião é afastado de atendimento no interior de SP

    15 hours ago

    Médico indiciado por morte de menino picado é afastado de atendimento no interior de SP O médico Augusto Fortunato de Godoi, indiciado pela morte de Bernardo de Lima Mendes, de 3 anos, após ser picado por um escorpião em março deste ano, foi afastado do atendimento da rede municipal pela prefeitura de Conchal (SP). A administração disse que a descontinuidade do vínculo foi adotada após o término do inquérito, mas não divulgou a data da medida. De acordo com o inquérito da Polícia Civil, Augusto foi indiciado por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) após o delegado Luís Henrique Lima Pereira, responsável pela investigação do caso, identificar que os protocolos para o atendimento da criança não foram seguidos. Em depoimento à Polícia Civil, Augusto disse que não sabia da existência de um protocolo de atendimento para acidentes com escorpiões em crianças com menos de 10 anos. Procurada pelo g1, a defesa do médico informou que há "plena certeza de sua inocência". LEIA TAMBÉM: Entenda por que a polícia indiciou médico por homicídio após morte de menino picado por escorpião 📱 Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram Afastamento do médico Questionada pelo g1 e pela EPTV, afiliada da TV Globo, a prefeitura de Conchal confirmou que Augusto Fortunado de Godoi não presta mais serviços em nenhuma unidade pertencente à administração direta da rede de saúde do município. O profissional atuava na área de psiquiatria no Centro de Especialidades Médicas de Conchal (CEMEC). "Foi adotada a descontinuidade do vínculo de prestação de serviços no âmbito da competência administrativa do município. [...] A descontinuação do vínculo foi adotada ao tomar conhecimento do relatório final do inquérito, no âmbito da competência administrativa municipal", afirmou. A decisão, de acordo com a prefeitura, foi tomada com fundamento nos princípios da prudência administrativa, da supremacia do interesse público e da precaução, com "o objetivo de resguardar a adequada prestação dos serviços públicos de saúde e a confiança da população enquanto permanecem em apuração os fatos relacionados ao caso". A prefeitura disse que a medida não representa antecipação de juízo de culpabilidade ou reconhecimento de responsabilidade criminal do profissional, considerando que o inquérito policial possui natureza investigativa e que eventual responsabilidade penal será submetida às instâncias competentes. "O indiciamento policial não constitui condenação criminal nem juízo definitivo de culpabilidade, cabendo ao Ministério Público a análise dos elementos produzidos no inquérito e ao Poder Judiciário a apreciação de eventual responsabilidade penal e das medidas cautelares submetidas à sua apreciação", afirmou a administração municipal. O g1 entrou em contato com a defesa do médico para que ele se posicione sobre a decisão do afastamento, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. Falha nos protocolos Bernardo de Lima Mendes morreu após ser picado por escorpião em Conchal (SP) Redes Sociais Bernardo foi picado por um escorpião no fim de março enquanto estava em casa com os pais. A família levou o menino até a Santa Casa de Conchal em menos de cinco minutos. De acordo com o delegado responsável pela investigação e os relatórios do Instituto Médico Legal (IML), diretrizes nacionais e estaduais do Ministério da Saúde determinam que qualquer criança com até 10 anos picada por escorpião, mesmo com sintomas leves, deve ser estabilizada e encaminhada imediatamente para um hospital de referência que possua o soro antiescorpiônico — que, no caso da região, é o hospital de Araras (SP). Também foi apontado atraso na transferência da criança, que deu entrada no Hospital Madre Vannini às 20h08, e o contato formal com o Sistema Cross somente ocorreu às 21h59, mais de duas horas após o acidente com o escorpião. O laudo relaciona essa demora à perda da chamada "janela terapêutica", quando a administração do antiveneno é eficaz, e aponta que o médico deveria ter acionado o Samu e informado tratar-se de "vaga zero" por risco iminente de morte. Segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica "Prof. Alexandre Vranjac", o grupo mais vulnerável a picadas de escorpião Tityus serrulatus, ou escorpião amarelo, é o das crianças de até 10 anos. O órgão aponta que o primeiro vômito no grupo de risco já caracteriza a necessidade urgente do uso do soroantiveneno. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) informa que, nesse grupo, o tratamento precisa ser iniciado em até 1h30 após a picada. O pai de Bernardo relatou que o filho vomitou cerca de dez vezes em apenas 20 minutos e também babava bastante. “Era um caso de vaga zero, de acionar o Samu e encaminhar essa criança para lá. O médico adotou protocolos que acabou por burocratizar a transferência da criança e o quadro se tornou irreversível. Por conta disso, o médico foi indiciado nesse inquérito policial por homicídio culposo em decorrência da negligência médica que ficou constatada”, afirmou o delegado. Bernardo de Lima Mendes morreu após ser picado por escorpião em Conchal (SP) Arquivo pessoal Segundo a polícia, o médico manteve o garoto em observação em Conchal, contrariando as regras. O quadro clínico do menino se agravou e ele sofreu uma parada cardiorrespiratória e choque cardiogênico, quando o coração perde de repente a capacidade de bombear sangue suficiente para o corpo, devido aos efeitos tóxicos do veneno. Bernardo foi transferido emergencialmente para Araras, onde recebeu o soro mais de 4 horas após a picada. Contudo, o estado já era irreversível e ele morreu no dia seguinte. “O próprio IML elaborou um parecer feito por médicos legistas, atestando que houve erro médico na não observância de um protocolo que deveria ter sido adotado em uma criança que sofreu picada de escorpião", afirmou o delegado. Além do indiciamento, a investigação solicitou à Justiça o afastamento cautelar de Augusto para que ele não atenda como plantonista e em serviços de urgência e emergência, como hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) até nova decisão judicial. O inquérito policial de 16 páginas foi encaminhado ao Ministério Público, que avaliará se aceita a denúncia e se formaliza o pedido de afastamento do médico. 'Sentimento de alívio' Paulo Henrique Mendes Dias, pai do menino Bernardo, fala sobre indiciamento de médico após morte do filho por picada de escorpião em Conchal (SP) Ely Venancio/EPTV O pai do Bernardo manifestou um "sentimento de alívio" ao saber que a polícia concluiu o inquérito e indiciou o médico que atendeu seu filho por homicídio culposo. "É um sentimento de alívio. É muito gratificante ver que um passo foi dado, e um dos passos mais importantes", afirmou o tatuador Paulo Henrique Mendes Dias. "O que a gente sempre quis é que a justiça seja feita e que não aconteça com mais ninguém. Principalmente sobre ele [poder] ser afastado, para que não ocorra com outra criança o que ocorreu com o meu filho", disse o pai do menino. O que dizem os envolvidos Em nota, a defesa afirmou que recebeu a notícia do encerramento do inquérito com surpresa pela imprensa e declarou a "tranquilidade" de seu cliente, alegando que ele possui "plena certeza de sua inocência". O g1 questionou sobre a falta de conhecimento do médico sobre os protocolos, mas a primeira nota da defesa foi mantida. O Hospital e Maternidade Madre Vannini, de Conchal, onde aconteceu o primeiro atendimento, informou que o médico acionou o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ceatox) quatro vezes durante o atendimento e que solicitou a transferência assim que houve o agravamento do quadro. A unidade pontuou ainda que não tem autorização para manter o estoque do soro no local. Disse ainda que o inquérito "não reflete o melhor entendimento sobre os fatos e que deixou de considerar vários pontos, desde a regulamentação técnica à cronologia do que aconteceu". Afirmou também que "uma rigorosa sindicância aberta pela instituição concluiu que o tempo de atendimento foi adequado, assim como todos os protocolos foram seguidos". O g1 procurou o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo para falar sobre o indiciamento e se há apuração da conduta do médico, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem. Bernardo de Lima Mendes morreu após ser picado por escorpião em Conchal (SP) Redes Sociais REVEJA OS VÍDEOS DA EPTV: Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara
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