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    'Me agarrou por trás e foi abrindo minhas calças': após prisão de médico, 39 mulheres foram à polícia fazer denúncias de abuso durante consultas

    há 2 meses

    Dezenas de pacientes procuram a polícia para denunciar médico cardiologista "Me agarrou por trás e foi abrindo minhas calças". A frase é de uma das vítimas do cardiologista Daniel Kolett, preso no fim de março no Rio Grande do Sul. Após a detenção, 39 mulheres procuraram a polícia para denunciar abusos sexuais que, segundo os relatos, ocorreram durante consultas e exames médicos. O médico, de 55 anos, foi preso dentro do próprio consultório. Inicialmente, três pacientes registraram ocorrência. Depois da prisão, o número de denúncias aumentou significativamente. O médico disfarçava o abuso de atenção. Segundo os investigadores, a maioria das vítimas descreve situações semelhantes, com assédios e toques indevidos dentro de salas de atendimento, sem testemunhas. Cardiologista do RS tem denúncias de absuso sexual contra si Fantástico Uma ex-funcionária relatou que confiava no médico, conhecido na cidade, mas acabou sendo surpreendida. “Ele me agarrou por trás assim e já foi abrindo as minhas calças”, contou. Ela também afirmou que o médico “pegava com força a minha mão e me enfiava a minha mão dentro da calça”. Outra paciente disse que, ainda na primeira consulta, o comportamento já era inadequado. “Ele começou a alisar cabelo, me abraçou bem forte [...] dizendo que ia me passar uma energia boa”, relatou. Na consulta seguinte, durante exames, a situação teria se agravado. “Ele chegava, apagava a luz e daí me abraçou fortemente [...] ele tentou me beijar, tentou abrir as minhas calças”, afirmou. A vítima diz que sofreu estupro. “Eu não tive reação. Eu me sinto culpada”, disse. Mesmo após o episódio, ela voltou ao consultório. “Para mim até então, ele era o melhor médico que tinha em Taquara”, explicou, destacando a relação de confiança que tinha com o profissional. Segundo uma investigadora, o médico se aproveitava da vulnerabilidade das pacientes. “Ele se aproveitava da vulnerabilidade das mulheres [...] e começavam os toques indevidos, que iam além do exame”, afirmou. Outra vítima contou que foi assediada durante um exame de imagem. “Ele não olhava pro monitor, ele só olhava pro meu seio”, disse. Ela também relatou que o procedimento durou muito mais do que o necessário. Há relatos de pacientes idosas. Uma mulher de 75 anos disse que passou a ir acompanhada às consultas após estranhar o comportamento do médico. “Eu pensei, eu não vou mais sozinha porque isso não é normal”, afirmou. Segundo ela, quando estava com a nora, o médico mudou de atitude. As denúncias não se limitam a pacientes. Uma enfermeira afirmou que teve o quarto de descanso invadido pelo médico durante um plantão. “Eu acordei com ele com as calças embaixadas em cima de mim”, contou. Ela disse que tentou denunciá-lo, mas não recebeu apoio. Especialistas destacam que, em casos como esse, a palavra das vítimas é fundamental. “Na maioria das vezes é cometido em ambiente sem testemunhas”, diz um comentarista. A legislação garante o direito de mulheres terem um acompanhante durante atendimentos médicos. “Ela tem o direito de estar acompanhada [...] em todos os serviços públicos ou privados”, explicou uma especialista. O cardiologista foi indiciado por violação sexual mediante fraude e também é investigado por estupro e estupro de vulnerável. O Conselho Regional de Medicina abriu uma sindicância, e ele pode ter o registro cassado definitivamente. A defesa do médico afirma que ele nega os crimes e que um pedido de liberdade está em análise na Justiça. 🎧 Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.
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