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    Lula usa música do cantor Bad Bunny em campanha com mote sobre defesa de soberania e críticas aos EUA

    23 hours ago

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) publicou nas redes sociais, na noite dessa quarta-feira (23), uma peça de campanha com uma versão da música “Lo Que Le Pasó a Hawaii”, do cantor porto-riquenho Bad Bunny. No vídeo, a música é usada para reforçar uma das principais bandeiras adotadas por Lula nos últimos meses: a defesa da soberania nacional e a crítica a pressões externas sobre decisões do Brasil. Vídeo da campanha de Lula usa música de Bad Bunny A canção fala sobre Porto Rico, terra natal do cantor, e faz uma espécie de alerta sobre perda de território, identidade cultural e influência dos Estados Unidos. O material foi adaptado para o português e a realidade local, mas mantém o ritmo da música. 🔎Porto Rico é um território dos Estados Unidos, mas não um estado americano. Os porto-riquenhos têm cidadania dos EUA, usam o dólar e estão sob a soberania americana, mas, vivendo na ilha, não votam nas eleições presidenciais e não têm representação com voto pleno no Congresso. Na ONU, Lula trata de soberania e critica interferências externas em processos eleitorais Jornal Nacional/ Reprodução Bad Bunny usa a música para defender a preservação da identidade porto-riquenha e questionar os efeitos da presença econômica e política dos Estados Unidos na ilha. A música traz uma referência a Porto Rico e ao Havaí funciona como uma crítica ao risco de gentrificação e perda de identidade cultural: ele usa o Havaí como exemplo de um lugar cuja cultura e população local foram profundamente afetadas pelo turismo, pelo aumento do custo de vida e pela ocupação estrangeira. A música imagina esse processo acontecendo em Porto Rico também — com a chegada crescente de americanos, a valorização dos imóveis e a transformação de bairros e costumes locais — e expressa o medo de que os porto-riquenhos acabem se tornando estrangeiros na própria terra. A mensagem da música voltou a ganhar destaque em fevereiro, quando Bad Bunny comandou o show do intervalo do Super Bowl. O espetáculo teve forte presença da cultura porto-riquenha e latina e foi criticado publicamente por Donald Trump. Defesa da soberania Na campanha de Lula, a música aparece em outro contexto, mas dialoga com uma mensagem semelhante: a defesa das riquezas naturais do Brasil, e de que decisões sobre o Brasil sejam tomadas pelo próprio país, sem interferência de potências estrangeiras. Lula tem recorrido ao tema da soberania nacional para reagir a diferentes pontos de tensão com os Estados Unidos, da imposição de tarifas sobre produtos brasileiros ao processo eleitoral e às negociações envolvendo minerais críticos e terras raras. Foi esse também um dos principais recados levados por Lula à Assembleia Geral da ONU, em Nova York, na terça-feira (22). Sem citar diretamente os Estados Unidos em todos os momentos, Lula criticou interferências externas e afirmou que o “Brasil não cabe no quintal de ninguém”. A frase faz referência à ideia de países latino-americanos como parte de uma área de influência dos Estados Unidos e resume uma posição que Lula tem repetido no governo e na campanha: a defesa da autonomia dos países e do multilateralismo.
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