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    Justiça Eleitoral suspende pesquisa em Alagoas por falhas e risco de desinformação

    há 3 meses

    Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL), em Maceió. Reprodução/TRE-AL O Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) determinou, nesta sexta-feira (6), a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral registrada sob o número AL-05611/2026. O levantamento foi realizado pela empresa Falpe Pesquisas. A decisão liminar é do desembargador Maurício César Breda Filho e atende a um pedido do diretório estadual do MDB. Segundo o magistrado, há indícios de falhas metodológicas no estudo, apresentado como retrato da disputa eleitoral em Alagoas. Segundo a decisão, a pesquisa ouviu eleitores apenas em municípios da Região Metropolitana de Maceió, mesmo tratando de cargos estaduais, como governador e senador. A escolha deixou de fora cerca de 65% do eleitorado de Alagoas, principalmente do interior. Para o desembargador, essa limitação impede que o resultado represente todo o estado e pode gerar distorções. “A divulgação de pesquisas exige rigor técnico, pois exerce forte influência na formação da convicção do eleitor”, escreveu na decisão. Cenários questionados O relator também apontou problemas nos cenários apresentados aos entrevistados. Na disputa para o governo de Alagoas, a pesquisa apresentou apenas dois nomes: o prefeito de Maceió, JHC, e o ex-governador Renan Filho. Segundo o magistrado, apresentar apenas dois candidatos e realizar entrevistas na região onde um deles tem maior influência pode criar uma percepção artificial de liderança. No cenário para o Senado, o levantamento não incluiu o nome do prefeito JHC, apontado como possível candidato ao cargo. Para o relator, a ausência pode alterar a percepção sobre a competitividade de outros pré-candidatos. Inconsistências no registro A Justiça Eleitoral também apontou inconsistências na documentação da pesquisa. O registro informava 1.200 entrevistas domiciliares em 13 municípios, com custo total de R$ 10 mil. Segundo a decisão, o valor seria de cerca de R$ 8,33 por entrevista. Para o relator, o custo é incompatível com despesas como deslocamento, equipe de campo e processamento de dados. Outro ponto citado foi o uso de dados do Censo de 2010 para definir o perfil da amostra, apesar da existência de dados mais recentes do Censo de 2022. Para o relator, o conjunto dessas falhas pode comprometer a confiabilidade da pesquisa. Risco de desinformação Na decisão, o desembargador afirmou que pesquisas com falhas metodológicas podem influenciar a percepção do eleitor. Segundo ele, pesquisas desse tipo podem provocar o chamado “efeito de adesão”, quando eleitores passam a apoiar candidatos que aparecem na liderança ou deixam de apoiar nomes vistos como sem chance de vitória. “O impacto direto na sociedade é a contaminação do ambiente eleitoral”, afirmou o magistrado. Ele disse ainda que dados distorcidos funcionam como um “espelho deformado da realidade política”. Suspensão e multa A decisão determina a suspensão da divulgação da pesquisa em qualquer meio, como portais de notícias, redes sociais e aplicativos de mensagens. A Falpe Pesquisas e a empresa contratante, Plus Comunicação e Serviços Ltda., devem remover publicações sobre o levantamento. Em caso de descumprimento, a multa diária é de R$ 10 mil. O caso será analisado pelo Ministério Público Eleitoral, que deve avaliar se houve irregularidades ou eventual crime eleitoral na divulgação da pesquisa. Veja os vídeos que estão em alta no g1
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