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    Imagens mostram local onde trabalhador em situação análoga à escravidão foi resgatado de helicóptero na Amazônia

    7 hours ago

    Idoso é resgatado de condições análogas à escravidão no Pará Imagens divulgadas pelo Ministério Público do Trabalho do Pará (MPT-PA) mostram o local isolado onde um trabalhador de 65 anos foi resgatado de situação análoga à escravidão no sudoeste do Pará. No local, só era possível chegar de barco ou por meio aéreo. Um helicóptero da Polícia Federal precisou ser usado para os auditores do trabalho chegarem na fazenda e resgatar o idoso (veja no vídeo acima). A propriedade rural onde ele estava fica no interior da Estação Ecológica Terra do Meio, unidade de conservação federal em Altamira, maior cidade do país em extensão territorial e distante mais de 800 quilômetros da capital Belém. O voo de helicóptero do centro de Altamira até o local do resgate levou duas horas. O resgate ocorreu em 14 de julho e foi divulgado no fim de semana pela Auditoria do Trabalho. O MPT informou nesta terça-feira (21) que o trabalhador foi inserido na rede de proteção socioassistencial de Altamira, recebeu atendimento médico e psicológico. "O idoso está em um abrigo e, em breve, deve encontrar-se com familiares para retornar ao município onde residem familiares que não tinham notícias por anos do trabalhador", informou o MPT. Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, desde 2018 ele vivia na fazenda sem água potável, com alimentação precária e em uma moradia degradante. Além disso, estava em completo isolamento, em uma área cercada por floresta, sem acesso regular a serviços públicos, meios de comunicação, atendimento médico ou condições mínimas de dignidade. Um Termo de ajustamento de conduta foi firmado no valor de R$ 120 mil entre verbas rescisórias e reparação de danos morais. ✅ Siga o canal do g1 Pará no WhatsApp Sem água, sem banheiro e atacado por jararacas e arraias Ele consumia água retirada diretamente de um rio e armazenada em recipientes reutilizados de óleo lubrificante de motor. O trabalhador esperava aecantação do barro antes de consumi-la, mas a água ainda permanecia turva e imprópria para o consumo. A casa tinha goteiras, madeiras desalinhadas e parte do piso de terra batida. A cama era coberta de detritos e dividia espaço com lixo acumulado. No local era constante a presença de animais peçonhentos e o trabalhador foi picado duas vezes por jararacas, além de ficar em vigília para matar morcegos que atacavam os porcos à noite. Sem banheiro, as necessidades eram feitas no mato e tomava banho no rio, onde já foi ferroado por arraias. O homem chegou a cogitar abandonar o trabalho, mas desistiu com medo de perder direitos. Além da situação degradante, ele tinha as responsabilidades de trabalhdo, sendo responsável: pela manutenção e conservação da propriedade pela vigilância da fazenda manutenção da pista de pouso manejo dos animais e cultivo de pequenas lavouras para subsistência. Quando precisou de atendimento médico por fortes dores nos rins, o trabalhador, que é analfabeto, apresenta severa deficiência auditiva e problemas de visão, caminhou 27 quilômetros em mata fechada durante cerca de um dia e meio até alcançar o local onde morava outro trabalhador. Homem trabalhava em condições análogas à escravidão. AFT Alimentação precária A cozinha, segundo o órgão, era uma estrutura rústica de madeira, aberta em duas laterais, exposta a animais e vetores. Os alimentos eram preparados em um fogão a lenha improvisado, coberto por fuligem. Mantimentos abertos e frutas ficavam armazenados diretamente sobre uma mesa suja, junto a ferramentas de trabalho. De acordo com o trabalhador, a alimentação era composta basicamente por arroz, feijão, óleo, sal e alguns temperos enviados esporadicamente pelo empregador. O idoso contou que que houve períodos em que o homem passou anos sem consumir carne bovina ou de frango. Do rio, o homem pescava piranhas e consumia apenas a cabeça, destinando o restante aos porcos. Em 2025, ficou cerca de três meses sem receber mantimentos. Sobreviveu apenas das abóboras que cultivava e das piranhas que pescava, preparadas somente com óleo e sal. Fiscalização resgata idoso submetido a condições análogas à escravidão em fazenda localizada em Altamira (PA) MPT/Reprodução Extrema vulnerabilidade social Após o resgate, a força-tarefa informou que providenciou a emissão de uma nova carteira de identidade, inscrição no CPF, encaminhamento para atendimento médico e início dos procedimentos para requerimento de benefício previdenciário ou assistencial. Além disso, foram adquiridas roupas, produtos de higiene, alimentos e um telefone celular, que permitiram ele restabelecer contato com familiares. A operação contou com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT), da Defensoria Pública da União (DPU) e da Polícia Federal (PF). As denúncias tiveram origem em inspeções anteriores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do próprio MPT. Casos de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciados de forma anônima pelo Sistema Ipê, disponível no site da Secretaria de Inspeção do Trabalho. MAIS VÍDEOSA com notícias do Pará:
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