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    Igreja Inacabada de Alagoinhas não foi feita com sangue de boi; confira lendas sobre o templo e saiba por que construção nunca foi concluída

    16 hours ago

    Igreja Inacabada de Alagoinhas nunca foi construída com sangue de boi Quem visita Alagoinhas logo se depara com um dos cartões-postais mais conhecidos do município: uma igreja de grandes proporções, sem telhado, com paredes de pedra que resistem há mais de um século e meio. Cercada por lendas e curiosidades, a chamada Igreja Inacabada desperta a imaginação de moradores e turistas, principalmente devido à história repetida ao longo de gerações: a de que sua estrutura teria sido erguida com sangue de boi e óleo de baleia misturados à argamassa. Mas a versão, apesar de popular, não encontra respaldo na pesquisa histórica. "Não. Isso não é verdade. É uma tradição oral da cidade. Os estudos não falam sobre isso", ressalta a pesquisadora da história de Alagoinhas e assessora cultural do município, Iraci Gama, em entrevista ao g1. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Feira de Santana e região Segundo a pesquisadora, a igreja foi construída com os materiais utilizados nas edificações da época. A estrutura recebeu barro, argila especial, areia de qualidade e água abundante na região, sem qualquer registro histórico do uso de sangue de boi ou óleo de baleia na argamassa. Igreja Inacabada de Alagoinhas, na Bahia Amilton André A explicação para o monumento nunca ter sido concluído é bem diferente, e ajuda a contar a própria história da cidade, que celebra 173 anos de emancipação política nesta quinta-feira (2). Da lagoa que deu nome à cidade A origem de Alagoinhas está ligada a uma pequena lagoa de água considerada pura, utilizada pelos moradores e pelos religiosos que passavam pela região. Ao lado dela foi construída uma capela dedicada a Santo Antônio, que passou a reunir a população do povoado. Reconhecida como cidade com a segunda melhor água do mundo, Alagoinhas inspirou política nacional de saneamento Com o crescimento da comunidade, o local tornou-se Freguesia de Santo Antônio da Lagoinha em 1816. Décadas depois, em 1852, foi elevado à categoria de vila. Ao g1, Iraci contou que o marco da emancipação aconteceu em 2 de julho de 1853, quando tomou posse a primeira Câmara Municipal. "Foi quando a vila passou a ter autonomia administrativa. Por isso o dia 2 de julho é considerado a data da emancipação política de Alagoinhas", contextualiza. Uma igreja para uma cidade em crescimento Projeto da fachada da Igreja Inacabada de Alagoinhas Arquivo Pessoal Na década de 1860, o antigo templo já não comportava o número de fiéis. O vigário Antônio Martins da Silva Teles liderou, então, o projeto de construção de uma igreja muito maior, financiada pelo governo da época. As obras começaram em setembro de 1862. O projeto era ambicioso. A igreja seria maior do que qualquer templo existente na cidade, inclusive a atual Catedral de Santo Antônio. "A fachada que vemos hoje está muito próxima do projeto original. Ela avançou bastante e seria a maior igreja de Alagoinhas", explica a pesquisadora. A arquitetura também chama atenção por misturar elementos de diferentes estilos. As arcadas da fachada lembram o gótico, enquanto outras características são inspiradas na arquitetura romana. O trem mudou tudo Mas enquanto a igreja era construída, um novo projeto transformava completamente a região: a chegada da estrada de ferro. Em 13 de fevereiro de 1863, foi realizada a primeira viagem ferroviária entre Salvador e Alagoinhas. A estação havia sido construída a cerca de três quilômetros da sede da vila. Rapidamente, comerciantes, moradores e serviços começaram a migrar para o entorno da ferrovia. "Começou uma disputa entre quem queria permanecer na antiga vila e quem queria se estabelecer perto da estação. Como o movimento era muito maior ali, a população foi mudando", conta Iraci. Com o antigo núcleo urbano esvaziado, o governo deixou de investir na igreja. Sem recursos, a obra foi interrompida poucos anos depois. Em abril de 1868, a sede administrativa do município foi oficialmente transferida para a região da estação ferroviária. A antiga vila perdeu protagonismo, e a igreja permaneceu inacabada. "A vida administrativa passou para perto da estação. A igreja ficou isolada, mas sua estrutura era tão sólida que permanece de pé até hoje". Patrimônio da memória Igreja Inacabada de Alagoinhas, na Bahia Rafael Santos Mais de um século e meio depois, a Igreja Inacabada continua sendo o principal símbolo histórico de Alagoinhas. Embora a antiga estação ferroviária também represente um marco importante da cidade, é a igreja que desperta maior identificação entre os moradores. "A estação representa a cidade ferroviária, mas a Igreja Inacabada carrega um laço afetivo muito forte com a população. As duas praticamente se equiparam em importância". O monumento é tombado como patrimônio histórico municipal desde 2012 e passou por obras de estabilização entre 1991 e 1992, após estudos realizados pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac). Hoje, a recomendação técnica não é concluir a construção. "O objetivo é preservar a igreja exatamente como ela está. Não se fala mais em terminar a obra". Apesar de permanecer estável, o imóvel apresenta rachaduras que precisam de acompanhamento permanente para evitar novos danos provocados pela chuva, pelo vento e até pela intensa movimentação de veículos na região. História e tradição Mesmo sem comprovação histórica, as lendas continuam fazendo parte da identidade do monumento. Além da história sobre o sangue de boi, outra tradição popular diz que imagens de Santo Antônio eram colocadas na cruz localizada na entrada da igreja por fiéis, sumiam e "voltavam" para o templo, como se o santo não quisesse abandonar o local. O costume atravessou gerações e ainda hoje há moradores que levam imagens religiosas para o espaço, que ocasionalmente recebe celebrações. Para Iraci Gama, independentemente das lendas, o maior legado da Igreja Inacabada é preservar a memória da cidade. "Ela representa toda a trajetória de Alagoinhas. Foi ali que começou a história da comunidade, que se tornou arraial, depois freguesia, vila e, finalmente, a cidade que conhecemos hoje". Curiosidades sobre a Igreja Inacabada 📍 As obras começaram em setembro de 1862. 🚂 A construção foi abandonada após a chegada da ferrovia e a mudança do centro urbano. ⛪ O templo seria maior do que a atual Catedral de Santo Antônio. 🏛️ A fachada preserva quase fielmente o desenho do projeto original. ❌ Não há comprovação de que a argamassa tenha sido feita com sangue de boi ou óleo de baleia. 🏛️ O monumento é tombado como patrimônio histórico municipal desde 2012. ❤️ É considerado um dos maiores símbolos da identidade de Alagoinhas. As informações sobre a origem de Alagoinhas, a construção da Igreja Inacabada e a influência da ferrovia no desenvolvimento do município estão reunidas no livro "Memória, Narrativa e Identidade: A cidade ferroviária de Alagoinhas", de autoria da pesquisadora Iraci Gama. LEIA MAIS: Reconhecida como cidade com a segunda melhor água do mundo, Alagoinhas inspirou política nacional de saneamento Prefeitura de Salvador inicia processo de tombamento municipal da Igreja da Lapinha Trio elétrico é reconhecido como Patrimônio Imaterial, Cultural e Histórico de Salvador Veja mais notícias de Feira de Santana e região. Assista aos vídeos do g1 e TV Subaé 💻
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