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    Homem trans faz primeira retificação de nome e gênero no sistema prisional de Pernambuco

    há 1 mês

    Sede da Defensoria Pública de Pernambuco, no bairro da Boa Vista, no Centro do Recife Reprodução/Google Street View Um homem trans conseguiu fazer a primeira retificação de nome e gênero no sistema prisional de Pernambuco. Segundo a Defensoria Pública do Estado, o processo foi concluído na semana passada, sem a necessidade de uma ação judicial. Ao g1, o coordenador do Núcleo de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos da instituição, Henrique da Fonte, disse que o reeducando solicitou a mudança dos dados nos documentos há cerca de um ano. O nome, a idade e a unidade onde ele está detido não foram divulgados por motivo de sigilo. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE "A nossa grande batalha, digamos assim, era para que essas pessoas que estavam privadas de liberdade pudessem usufruir desse direito da mesma forma que pessoas que não estavam privadas de liberdade assim o fazem no dia a dia. Porque a gente poderia entrar com a ação judicial, sendo que hoje em dia já se possibilita que a pessoa consiga alterar diretamente nos cartórios", explicou. Desde 2024, o órgão tem um procedimento instaurado para acompanhar as demandas de presidiários que desejam fazer as modificações no registro civil. A iniciativa foi realizada pela Defensoria em parceira com a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) e a Corregedoria Geral do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). Veja os vídeos que estão em alta no g1 "Não existe nenhum tipo de restrição. Diferente, por exemplo, de direito a voto, direitos políticos, em que a pessoa privada de liberdade condenada tem os direitos políticos suspensos. No caso de uma pessoa trans, é uma questão de identidade. Ela não tem um cerceamento desse direito só porque ela está privada de liberdade. Então, a intenção é que a privação de liberdade não seja um elemento impeditivo do acesso a esse direito", disse. O principal desafio, segundo o defensor público, era garantir que os beneficiados tenham a documentação mínima necessária para realizar o processo no cartório. Conforme normativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), para fazer a retificação, é preciso apresentar certidão de nascimento, título de eleitor, RG e CPF. "A gente incidiu sobre o caso de uma pessoa que tinha documentação básica inicial necessária. E a partir dessas articulações com a secretaria. Com a Seap, a gente conseguiu autorizações judiciais para essa pessoa ter direito à escolta e a saída da unidade prisional. Então, essa pessoa pôde ir aos cartórios a partir", contou. Demanda em estudo Ainda de acordo com Henrique da Fonte, não há um número definido de quantas pessoas trans internadas no sistema prisional do estado necessitam do serviço. Entre os casos mapeados pelo órgão até agora, há seis homens trans na Colônia Penal Feminina de Abreu e Lima, no Grande Recife, e ao menos um em Canhotinho, no Agreste. A maior parte da demanda se concentra no Presídio de Igarassu, na Região Metropolitana, que tem um pavilhão para o público LGBTQIA+. Lá, são de 30 a 40 reeducandos, incluindo homens e mulheres trans. "A gente tem um mapeamento de alguns, seja porque a demanda surgiu para a defensoria, seja porque a gente buscou ativamente, pelo menos, um primeiro grupo para a gente, para servir como um espelho [...]. São demandas reais, assim, das pessoas que estão lá", informou. O defensor público disse também que, neste primeiro momento, o núcleo está buscando resolver os casos de pessoas que já têm a documentação básica enquanto regulariza a situação dos presos que não possuem. "A expectativa é que, a partir do primeiro caso, a gente possa construir fluxos que viabilizem ou favorecem de algum modo para que essas pessoas trans privadas de liberdade que já contam com essa impossibilidade de deslocamento não tenham impedido o acesso a esse direito apenas por estarem privadas de liberdade", afirmou. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias
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