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    Gilmar Mendes defende que delegados da PF sejam impedidos de trabalhar para ministros do STF

    13 hours ago

    A crise no STF - Supremo Tribunal Federal escalou nesta quinta-feira (3). Dois dias depois de ser citado como destinatário de dezenas de mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro, o ministro Alexandre de Moraes, em um ato de retaliação, pediu a abertura de uma investigação contra o colega André Mendonça. No documento, Moraes afirma que há fortes indícios de abuso de autoridade e crime de responsabilidade na condução dos inquéritos que apuram as fraudes do Banco Master e os descontos ilegais no INSS. O presidente da Corte, ministro Luiz Edson Fachin, se manifestou nesta quinta-feira (3): disse que quer ouvir Moraes e Mendonça em cinco dias úteis. A Transparência Internacional cobrou uma investigação imediata e independente. Já o decano do Supremo, Gilmar Mendes, defendeu que delegados da Polícia Federal sejam impedidos de trabalhar nos gabinetes dos ministros. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Gilmar Mendes defende que delegados da PF sejam impedidos de trabalhar para ministros do STF Jornal Nacional/ Reprodução A proposta foi feita durante uma conversa com o presidente do Supremo, ministro Luiz Edson Fachin. Gilmar Mendes defendeu que delegados da Polícia Federal sejam proibidos de atuar nos gabinetes dos ministros como servidores cedidos. A informação foi divulgada primeiro pelo jornal “Folha de S.Paulo” e confirmada pela TV Globo. Atualmente, dois delegados da PF assessoram o ministro André Mendonça em casos como o do Banco Master e das fraudes no INSS. O ministro Alexandre de Moraes também é assessorado por dois delegados da PF. Segundo interlocutores, André Mendonça resiste à proposta de retirada dos delegados. Esse foi um dos motivos da tensão entre ele e o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, que defende a saída dos delegados dos gabinetes. Pela manhã, o ministro André Mendonça, que também é vice-presidente do TSE, participou da abertura da campanha nacional pela paz e tolerância nas eleições. No discurso, não mencionou a crise no STF, mas falou em honrar a confiança da sociedade: “E que Deus nos abençoe também desse lado da mesa, e todos que representam o Poder Judiciário, de modo especial o sistema de justiça como um todo. Que nós possamos honrar a confiança que o principal, que é o povo, o cidadão, deposita não só em nós, mas também em cada um dos senhores e das senhoras”. Após a cerimônia, o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, foi questionado, mas não quis falar sobre a crise. Na quarta-feira (2), Fachin afirmou que nos próximos dias vai informar as medidas que considerar cabíveis e necessárias. O jornal “O Globo” publicou uma foto do fim da sessão do Supremo na quarta-feira (2) à tarde. Os ministros Cristiano Zanin, Moraes, Gilmar Mendes e Fachin, de costas. Rindo, segundo informaram, de uma piada contada pelo ministro Flávio Dino. Na sessão desta quinta-feira (3), novamente os ministros não se manifestaram sobre o caso. O jornal 'O Globo' publicou uma foto do fim da sessão do Supremo na quarta-feira (2) à tarde Jornal Nacional/ Reprodução As 52 mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro para Alexandre de Moraes vieram a público na terça-feira (1º), quando o ministro relator André Mendonça retirou o sigilo. Nelas, segundo o relatório da Polícia Federal, Vorcaro pede conselhos e ajuda ao ministro para conter ações da PF e do Ministério Público Federal contra o Banco Master. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu a nulidade da investigação. Segundo Gonet, que é citado no relatório em mensagens que mostram proximidade com Vorcaro, Mendonça não poderia ter determinado a produção do documento sem autorização do plenário do Supremo para investigar outro ministro da Corte. No Congresso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, do União Brasil, já deixou claro que não pretende abrir o processo de impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Na quarta-feira (2), ele respondeu assim aos senadores que cobravam o andamento do processo: “Eu vou voltar para a pauta aqui, porque senão eu vou ter que responder muitas agressões que, como presidente do Senado Federal, eu estou recebendo nos últimos dias. E eu acho - apenas um comentário; no momento adequado, eu vou falar - que todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme, e agora o culpado só é o ministro Alexandre de Moraes”, disse o senador Davi Alcolumbre, do União - AP, presidente do Senado. Nesta quinta-feira (3), sem citar qualquer nome, Alcolumbre disse que está sendo vítima de ofensas e agressões: “As pessoas de bem desse país estão com medo de falar as verdades ou defender as outras pessoas de bem. Porque ninguém tem o direito de subjugar ninguém e de ofender tantas outras pessoas. E todo mundo tem o direito de discordar. Eu quero só ter o meu direito de discordar e eu nunca ofendi ninguém aqui, na minha condição de senador ou de presidente do Senado”. O senador Carlos Viana, do PSD, pediu o afastamento de Alcolumbre da presidência do Senado por não pautar o impeachment de Moraes. A denúncia foi apresentada ao Conselho de Ética da Casa, que está parado desde 2024. A oposição cobra a exoneração do diretor da PF, Andrei Rodrigues, e quer a renúncia do procurador-geral, Paulo Gonet. “Paulo Gonet representa uma instituição importante para o nosso país, que é o Ministério Público, que é independente, coisa que ele não é. Paulo Gonet tem que renunciar já. Alexandre de Moraes, interlocutor do investigado Vorcaro com a cúpula que investigava o Gonet e Andrei, ele tem que renunciar imediatamente. Ele está manchando o Judiciário brasileiro. O STF se distancia da sociedade e do Poder Judiciário”, diz o senador Carlos Portinho, PL-RJ, líder do partido. Governistas querem o que chamam de uma investigação imparcial. “Não pode só ter investigação para um lado, nós queremos as investigações em relação a todos, seja senador da República, seja deputado federal, seja ministro do Supremo, seja quem for, tem que ser investigado. Ninguém, em uma República, ninguém está acima de qualquer investigação. O que queremos do ministro André Mendonça é que ele investigue tudo e todos”, diz o senador Randolfe Rodrigues, PT-AP, líder do governo no Senado. O presidente Lula se manifestou nesta quinta-feira (3) pela primeira vez sobre a crise no STF: "Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria-Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações. Como presidente da República, acredito que só agindo com firmeza e transparência, vamos garantir que as instituições sejam respeitadas pela sociedade brasileira. É chegada a hora que pessoas que atuam na vida pública honrem seu dever de ofício e coloquem o compromisso público acima de qualquer interesse individual. A democracia precisa de instituições fortes e respeitadas. Fica claro que o nosso sistema político e judiciário precisam de reformas profundas". A organização Transparência Internacional classificou o episódio como um dos momentos mais graves da história institucional do país e que os fatos revelados exigem apuração imediata, independente e exaustiva. O jurista Gustavo Sampaio, da Universidade Federal Fluminense, disse que o Supremo não pode adiar qualquer decisão; precisa ser ágil: “Independentemente das circunstâncias, até porque há de valer o princípio da presunção de inocência, o Supremo Tribunal precisa agir, porque se ele não correr, ele corre o risco de que o Senado da República saia na frente e que a pressão popular e política seja tão grande que por lá se instaure processo-crime de responsabilidade contra o ministro do Supremo Tribunal Federal. Isso seria ainda pior porque acirraria a tensão entre os Poderes, e o Supremo Tribunal Federal teria ficado inerte. O Supremo Tribunal Federal precisa se adiantar agora, tomar as providências que constitucionalmente lhe cumprem empreender e levar adiante, portanto, investigações, se isso se fizer necessário”. GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Jornal Nacional LEIA TAMBÉM Casos que envolvem ministros do Supremo precisam seguir regras da Constituição e do regimento interno da Corte; entenda Quais crimes podem ser investigados e quem pode processar e julgar um ministro do STF? Entenda Em meio à crise do caso Master, Fachin afirma que os fatos revelados exigem firmeza e serenidade
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