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    Fechar os olhos para ouvir melhor pode ser um erro, diz estudo

    há 2 meses

    Fechar os olhos para ouvir melhor pode ser um erro, diz estudo. Adobe Stock Imagina esta situação: você está ao telefone em uma festa ou em um bar cheio, tentando entender o que alguém diz do outro lado da linha em meio ao barulho das conversas. Para se concentrar melhor na voz da pessoa, fecha os olhos por alguns segundos enquanto escuta. O gesto é comum quando alguém tenta prestar mais atenção a um som, seja uma conversa distante, um barulho discreto ou algo difícil de identificar. A lógica parece simples: sem estímulos visuais, o cérebro teria mais capacidade para se concentrar no que está ouvindo. ❌Mas um novo estudo indica que, em ambientes barulhentos, essa estratégia pode ter justamente o efeito oposto. Pesquisadores da Shanghai Jiao Tong University, na China, testaram essa hipótese em um experimento que simulou situações com muito ruído de fundo. O trabalho foi publicado nesta terça-feira no periódico científico "The Journal of the Acoustical Society of America", ligado à Sociedade Acústica da América (ASA, na sigla em inglês). No experimento, voluntários ouviram diferentes sons por meio de fones de ouvido enquanto um ruído constante tocava ao fundo. A tarefa era ajustar o volume desses sons até conseguir percebê-los, mesmo que muito discretamente, no meio do barulho. LEIA TAMBÉM: Astronauta da Nasa flagra fenômeno luminoso raro durante tempestade vista do espaço; entenda Em fenômeno inédito, cientistas descobrem planeta que acelera sua própria destruição; entenda O teste de DNA em osso que pode reescrever a história do Egito antigo Veja os vídeos que estão em alta no g1 Os testes foram repetidos em quatro condições diferentes: com os participantes de olhos fechados; com os participantes de olhos abertos olhando para uma tela vazia; observando uma imagem relacionada ao som; e finalmente assistindo a um vídeo que correspondia ao som que estavam tentando identificar. 👀 O resultado surpreendeu os pesquisadores. “Descobrimos que, ao contrário do que se acredita popularmente, fechar os olhos na verdade prejudica a capacidade de detectar esses sons”, afirmou o pesquisador Yu Huang, um dos autores do estudo. “Por outro lado, ver um vídeo dinâmico correspondente ao som melhora significativamente a sensibilidade auditiva.” ➡️ Em outras palavras, quando os participantes podiam ver algo relacionado ao som — como um vídeo compatível com o que estavam ouvindo — eles conseguiam identificar ruídos mais fracos em comparação com quando estavam de olhos fechados. Para entender o que estava acontecendo no cérebro, os pesquisadores também monitoraram a atividade cerebral dos participantes usando eletroencefalografia (EEG), técnica que registra sinais elétricos do cérebro. A análise mostrou que fechar os olhos leva o cérebro a um estado em que ele filtra os sons de forma mais agressiva. Participantes identificaram sons fracos com mais facilidade quando mantinham os olhos abertos e viam imagens ou vídeos relacionados ao áudio. Yu Huang Isso ajuda a reduzir distrações, mas também pode eliminar sons fracos, justamente aqueles que os participantes estavam tentando ouvir. “Em um ambiente sonoro barulhento, o cérebro precisa separar ativamente o sinal do ruído de fundo”, explicou Huang. “Descobrimos que o foco interno promovido pelo fechamento dos olhos pode trabalhar contra você nesse contexto, levando a uma filtragem excessiva. Já o engajamento visual ajuda a ancorar o sistema auditivo no mundo externo.” Os pesquisadores ressaltam que o resultado vale principalmente para ambientes ruidosos. Em lugares mais silenciosos, fechar os olhos ainda pode ajudar a perceber sons fracos. Mesmo assim, os cientistas destacam que grande parte da vida cotidiana acontece cercada por ruídos — de trânsito, conversas, aparelhos eletrônicos ou música ambiente. Nessas situações, manter os olhos abertos e usar pistas visuais pode facilitar a compreensão do que se está ouvindo. A equipe agora pretende aprofundar os experimentos para entender melhor como visão e audição trabalham juntas. Uma das ideias é testar combinações que não correspondem entre si, por exemplo, ouvir o som de um tambor enquanto aparece a imagem de um pássaro. “Queremos saber se esse ganho vem apenas do fato de os olhos estarem abertos e processando mais informações visuais ou se o cérebro precisa que o que vemos e o que ouvimos combinem perfeitamente”, disse Huang. “Entender essa diferença vai ajudar a separar os efeitos gerais da atenção dos benefícios específicos da integração entre diferentes sentidos.” LEIA TAMBÉM: Espécie achada em esterco de gado pode explicar a origem do 'cogumelo mágico' mais cultivado do mundo Cientistas encontram fóssil de tiranossauro gigante que pode ser parente antigo do T. rex Estudos sugerem que o Sol 'fugiu' do centro da Via Láctea junto com estrelas gêmeas Fotógrafo do RS faz imagem incrível de cometa 'mais brilhante do ano'
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