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    Ex-coordenador da Funai é condenado a pagar R$ 100 mil por sugerir 'meter fogo' em indígenas isolados no AM

    18 hours ago

    Estima-se que além dos Moxihatëtë, outras duas tribos Yanomami vivem isoladas no estado do Amazonas Guilherme Gnipper/Hutukara/Divulgação A Justiça Federal condenou Henry Charlles Lima da Silva, ex-coordenador regional da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) no Vale do Javari, no Amazonas, a pagar R$ 100 mil por dano moral coletivo. A decisão foi publicada na quarta-feira (7) e está relacionada a declarações em que ele sugeriu o uso de violência contra indígenas em isolamento voluntário na região. As falas ocorreram em junho de 2021, durante uma reunião na aldeia Marubo, no oeste do estado. Na ocasião, áudios revelaram que o então coordenador afirmou que iria "meter fogo nos isolados" caso os órgãos de proteção não impedissem aproximações ao território desses povos. A indenização será destinada ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos. O valor deverá ser aplicado em ações voltadas à proteção e ao bem-estar dos povos indígenas da Terra Indígena Vale do Javari. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Durante o processo, a defesa argumentou que as declarações de Henry Charlles haviam sido retiradas de contexto. No entanto, a Vara Federal Cível e Criminal de Tabatinga entendeu que não há justificativa para incentivar conflitos entre etnias que vivem na mesma região. Coordenador da Funai que sugeriu 'meter fogo' em indígenas isolados é exonerado A Justiça considerou que a conduta do ex-coordenador causou danos morais graves aos povos indígenas. Também determinou que ele responda pessoalmente pelos prejuízos, por entender que praticou atos irregulares e que não faziam parte das atribuições do cargo público. Cabe recurso da decisão. Entenda o caso O caso ganhou repercussão após denúncias apresentadas pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja). Na época, a Funai declarou publicamente que as falas do coordenador não representavam a posição institucional do órgão. Na ação ajuizada em 2023, o Ministério Público Federal (MPF) afirmou que a conduta contrariou os deveres do cargo e a política de não contato com povos indígenas isolados. Segundo o órgão, em vez de buscar soluções pacíficas para os conflitos, o então coordenador incentivou uma reação armada. O Vale do Javari é o segundo maior território indígena do Brasil e abriga a maior concentração de povos em isolamento voluntário do mundo. LEIA TAMBÉM: Fumaça densa volta a encobrir Manaus, que registra pior qualidade do ar do Brasil; Defesa Civil emite alerta severo Vale do Javari: entenda por que a região se tornou um dos locais mais perigosos da Amazônia Indígena é amarrado em barco e deixado à deriva por pescadores ilegais em rio no Amazonas Amazonas é o segundo estado com maior registro de suicídio indígena do país nos últimos dez anos, diz estudo 4 anos após Bruno e Dom, rede criminosa mantém Vale do Javari sob ameaça no AM
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