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    Elizângela das Palafitas: artista transforma recicláveis em obras e maquetes que retratam comunidades do Grande Recife

    9 hours ago

    Artista transforma recicláveis em obras que retratam a vida nas palafitas e desafios urbanos no Recife A partir de materiais recicláveis que encontra nas ruas, Elizângela Maria do Nascimento produz arte. Quadros, esculturas e maquetes ganham forma pelas mãos da artista, conhecida como Elizângela das Palafitas, em referência às obras que retratam a vida nessas comunidades e chamam atenção para problemas urbanos, como a falta de saneamento básico e moradia digna (veja vídeo acima). Natural de Moreno, no Grande Recife, ela transformou a sala de casa num ateliê repleto de pequenos objetos. A inspiração surgiu há mais de 20 anos, durante as visitas que fazia ao Recife e a Olinda para observar o cotidiano das cidades. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE "Tudo que eu faço é através desse material que eu fico coletando nas ruas, por onde eu passo. Algumas pessoas também juntam para mim e me dão", conta. Ela foi selecionada para participar do Salão de Arte Sustentável e está entre os cerca de 5 mil expositores da Fenearte. Além disso, duas de suas obras fazem parte do acervo da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), no bairro de Casa Forte, na Zona Norte do Recife. Uma delas é "Da Lama ao Caos", homenagem ao médico, geógrafo e escritor Josué de Castro e também ao legado de Chico Science. A outra é "Cabaré de Biu Véia", inspirada em histórias que ouvia de familiares. "O Cabaré de Biu Véia, na realidade, foi uma inspiração que eu tive de uma pessoa que era da minha família. Eu sempre escutava falar essas histórias de que eles viviam lá dançando, brincando, tomando cerveja, e comecei a retratar isso na minha arte. 'Da Lama ao Caos' é uma palafita que eu faço em homenagem a Josué de Castro, às marisqueiras, aos pescadores", conta. Obra "Da lama ao caos" da artista Elizângela das Palafitas Reprodução/TV Globo Dificuldades Apesar da dedicação e da criatividade, Elizângela afirma que vender as peças ainda é um grande desafio. Ela investe para inovar nas obras e mantém um estoque de trabalhos prontos. As peças variam de preço: ímãs de geladeira custam cerca de R$ 20, enquanto outras obras podem ultrapassar R$ 150. "O que está faltando é oportunidade de expor meu trabalho gratuitamente em feiras porque, às vezes, eu vou para as feirinhas, invisto o dinheiro, tenho que pagar lanche, transporte. Às vezes eu não vendo o suficiente, não dá nem para comprar um lanche e volto infeliz. Aí dá aquela desanimação", diz. Mesmo com o apoio do marido, o agricultor José Osvaldo da Silva, as dificuldades para comercializar a produção fazem com que Elizângela complemente a renda trabalhando como cuidadora de idosos e faxineira. "É uma arte muito difícil de fazer uma coisa dessas. Às vezes eu fico até admirado com ela por causa disso. Ela passa o dia todinho e faz uma coisa linda. Eu fico triste porque um trabalho desses, que às vezes ela passa um mês para fazer, não tem valor. Chega meio-dia, uma hora da tarde, duas horas, e não vende nenhuma peça numa feira", afirma. Elizângela diz que não pensa em abandonar a arte. Para ela, produzir as peças é também uma forma de terapia que a motiva a seguir criando e dando visibilidade às histórias das comunidades retratadas em suas obras. "Eu sou feliz. Eu gosto muito, porque é uma terapia. Você esquece um pouco dos seus problemas. Eu fico aqui o dia todinho fazendo a minha arte, até de noite, até cansar. Não canso, não. Só fico fazendo arte direto. Esqueço até de dormir, de comer, às vezes", declara. Artista Elizângela das Palafitas Reprodução/TV Globo VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias
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