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    Editora suspeita em fraude de R$ 27 milhões oferecia 'manual' a prefeituras para burlar licitações em MS

    1 day ago

    Saúde de MS virou moeda de troca em esquema que fraudou R$ 27 milhões em compra de livros Responsável por movimentar mais de R$ 27 milhões em contratos considerados fraudulentos, a Editora Avante oferecia um passo a passo prefeituras sobre como justificar a compra de livros paradidáticos sem licitação, conforme aponta a investigação do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Segundo o Gaeco, a empresa compartilhava com servidores municipais um material com orientações para todas as etapas da contratação. A apuração faz parte da Operação Gutenberg, que investiga uma suposta organização criminosa suspeita de fraudar contratos para o fornecimento de livros paradidáticos a prefeituras de Mato Grosso do Sul. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Segundo o MPMS, a Editora Avante interferia diretamente nos setores de compras das prefeituras para viabilizar contratações sem licitação. Segundo o Gaeco, a empresa enviava um documento com orientações sobre todas as etapas da contratação, desde a elaboração do Estudo Técnico Preliminar até a emissão de parecer jurídico, empenhos e notas fiscais. Conforme a investigação, documentos que deveriam ser produzidos pela administração pública eram direcionados pela própria empresa beneficiada. LEIA TAMBÉM Saúde de MS era moeda de troca em esquema 'repugnante' que fraudou R$ 27 milhões na compra de livros Como mãe e filhos suspeitos usaram gráfica para fraudar R$ 27 milhões em livros O que se sabe sobre a fraude de R$ 27 milhões na compra de livros que envolve médica, ex-prefeito, advogados e servidores em MS Justiça mantém presos 9 suspeitos investigados por fraude de R$27 milhões em compra de livros em MS Estrutura da organização A investigação aponta três pessoas como líderes da suposta organização criminosa. Segundo o Ministério Público, Rossana Paroschi Jafar é apontada como a principal integrante do grupo e proprietária de fato da Editora Avante. A investigação afirma que ela comandava os contratos firmados com prefeituras para o fornecimento de livros paradidáticos. Embora atuasse em Mato Grosso do Sul, a empresa tinha sede em São Bernardo do Campo (SP). Heyder Bartz é apontado pela investigação como responsável pela gestão estratégica do grupo, incluindo a definição de pagamentos e a divisão dos valores recebidos. Ele também é proprietário da empresa Superconteúdo Marketing Digital. Francisco Anizio dos Santos é apontado como responsável pela logística financeira e operacional. Segundo o Gaeco, ele tinha acesso às contas bancárias da Editora Avante e coordenava saques em dinheiro feitos por pessoas usadas como "laranjas". Segundo a investigação, Rhayane Souza Fanaia foi a primeira proprietária formal da empresa. O Ministério Público afirma que ela seguia orientações dos investigados para sacar e distribuir dinheiro. A quebra do sigilo telefônico revelou mensagens com instruções para o repasse dos recursos. Segundo o Gaeco, a movimentação financeira da Editora Avante chegou a cerca de R$ 27 milhões entre 2022 e 2024. Livros vendidos pela editora investigada. Reprodução Como funcionava o esquema A Editora Avante começou a operar em 2021. Os primeiros contratos com prefeituras de Mato Grosso do Sul foram assinados no ano seguinte. Segundo o Ministério Público, a empresa vendia livros paradidáticos para alunos do ensino fundamental por meio de contratações sem licitação. A investigação também aponta que a empresa orientava as prefeituras sobre como justificar esse tipo de compra. Mensagens encontradas no celular de Rhayane Souza Fanaia mostram, segundo o Gaeco, um roteiro com orientações para formalizar as contratações. O material detalhava desde a elaboração dos documentos técnicos até a emissão de notas fiscais. Contratos investigados Os primeiros contratos identificados pelo Gaeco foram firmados em 2022 e somam cerca de R$ 3 milhões. Miranda: R$ 1 milhão; Ivinhema: R$ 874 mil; Bonito: R$ 818 mil; Ladário: R$ 459 mil. A investigação também identificou contratos firmados entre 2025 e 2026: Anaurilândia: R$ 232 mil; Japorã: R$ 226 mil; Fátima do Sul: R$ 244 mil; Deodápolis: dois contratos de R$ 161 mil e R$ 313 mil; Caarapó: R$ 589 mil. Família Paroschi Jafar, suspeita de esquema em Campo Grande. Redes sociais/Reprodução Livros investigados Segundo o Ministério Público, parte dos livros vendidos pela Editora Avante pertence à série "Mundo do Theo", publicada pela Editora Galeria das Letras e voltada à inclusão de pessoas neurodivergentes. A reportagem procurou a Editora Galeria das Letras, mas não recebeu resposta até a publicação desta reportagem. Operação Gutenberg A Operação Gutenberg foi deflagrada em 7 de julho e cumpriu 16 mandados de prisão. Giovanni Jafar, que estava foragido, se apresentou à polícia nesta terça-feira (14). Heyder Bartz continua foragido. O que dizem os citados A reportagem procurou todas as prefeituras citadas. Até o momento, apenas a Prefeitura de Fátima do Sul e Ladário respondeu. Veja a nota na íntegra: Fátima do Sul "Até o momento, o município não foi notificado acerca de qualquer investigação, procedimento ou apontamento de irregularidade relacionado ao contrato mencionado e mantém seus atos e registros administrativos disponíveis aos órgãos de controle e fiscalização." Ladário "A Prefeitura de Ladário, vem a público se manifestar sobre as providências adotadas pela administração, após a deflagração da OPERAÇÃO GUTEMBERG. Informamos incialmente que os fatos em apuração ocorreram na gestão anterior, no período de 2022 a 2024, existindo contratações por inexigibilidade de licitação com as seguintes pastas EDUCAÇÃO, SAUDE e ASSISTÊNCIA SOCIAL. A administração municipal está colaborando integralmente com as autoridades policiais e o Ministério Público, fornecendo todos os documentos, arquivos e informações solicitadas para o completo esclarecimento dos fatos. A Prefeitura reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e o combate a quaisquer irregularidades. A gestão municipal instaurará os procedimentos internos cabíveis para apurar as circunstâncias, sem prejuízo às investigações conduzidas pelas instâncias competentes. Por fim, a instituição segue à disposição da Justiça para que os trâmites legais ocorram com a maior celeridade possível". A defesa de Rossana Paroschi Jafar informou que ainda analisa o caso antes de se manifestar. A reportagem não conseguiu contato com as defesas de Giovanni Jafar, Rhayane Souza Fanaia e Heyder Bartz. O advogado de Francisco Anizio dos Santos não respondeu aos contatos da reportagem. Da direita para a esquerda Gabriel Taquino de Paula , Paulo e Douglas de Melo, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, na fileira de cima. Ed Carlo Britto Burgatt, Olívia Jafar e Rossana Paroschi Jafar na fileira de baixo. Redes Sociais Veja vídeos de Mato Grosso do Sul
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