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    Drag crocheteira: artesão do interior de SP tece os próprios looks para performances

    20 hours ago

    Drag queen cria os próprios looks feitos de crochê no interior de SP "Herdado" da família materna, o crochê tem um significado especial para Victor Hugo de Souza Santos, de 35 anos, que cria à mão as peças usadas em suas performances de drag queen na região de Presidente Prudente (SP). 🔎O termo drag queen se refere a uma forma de expressão artística e performance, por meio de maquiagem, figurinos e trejeitos. Drag vem do verbo em inglês "to drag", que significa arrastar em português, e se refere ao fato de que as longas roupas femininas arrastavam pelos palcos. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp 🏳️‍🌈 O Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+ é celebrado anualmente em 28 de junho. A data lembra a revolta de Stonewall, no ano de 1969, um marco na luta contra o preconceito. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) só deixou de considerar a homossexualidade como transtorno mental em 17 de maio de 1990. No Brasil, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, em 2019, enquadrar atos de homofobia e transfobia na Lei do Racismo. Ao g1, Victor Hugo, ou Dooda Wesker, relembra quando passou a "tecer" o próprio caminho, a partir das habilidades que vêm de três gerações familiares. "Minha bisavó fazia rendas de bilro e minha avó materna bordava, costurava para fora e fazia bordados também, ponto-cruz. Eu acompanhava isso nas férias escolares, ia para a casa dela e eu via ela bordando também. Com uns 17 anos, minha mãe me mostrou um amigurumi que fez de presente para uma amiga, e aquilo me encantou. Pedi para ela me ensinar", relembra. Victor Hugo de Souza Santos, morador de Presidente Prudente (SP), é conhecido como drag queen crocheteira Victor Hugo/Arquivo pessoal Desde então, Victor passou a fazer pelúcias de crochê com o incentivo da mãe, até que o gosto pelo vestuário tomou conta. Quando a persona Dooda Wesker nasceu, o artesão teve a ideia: "Eu queria mesclar as duas áreas". Além de hobby, o crochê se tornou uma renda extra para o operador de caixa de uma loja. "Nesses intervalos em que eu não estou no trabalho, eu pego os crochês para fazer." Os amigurumis levam em média de três a quatro horas de produção, quando Victor tem o dia todo livre, mas geralmente o prazo é de até 15 dias, devido à rotina em seu trabalho. Já as roupas que a drag utiliza nas apresentações demoram entre 20 e 30 dias para serem produzidas. 🏳️‍🌈 Nasce a drag crocheteira O artesão viu a oportunidade de divulgar o trabalho de crochê pela internet, enquanto mantém viva sua personalidade drag queen, combinando os dois lados significativos dele. "Comecei a postar os meus crochês e mostrar como é viver de artesanato no interior de SP, se a gente tem dificuldade da aceitação da família. A drag me proporcionou ter essa visibilidade, porque agora eu uso mais a questão do artesanato para drag do que para eventos", descreve Victor Hugo. SAIBA MAIS: Drag queen é questão de gênero? Drag queens: a história da arte por trás de homens vestidos de mulher Diferença entre sexualidade e gênero Arte/g1 As produções são compartilhadas nas redes sociais de Victor. "Sobre a Dooda Wesker, eu comecei em 2017. Ela surgiu de um pedido de um amigo que trabalhava em uma casa noturna. Achei loucura, um desafio grande, e topei. A partir dali, comecei a frequentar ainda mais a boate, para ver o que as drags locais estavam fazendo, vestindo." Para o Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, celebrado em junho, Victor recebeu um convite do Sesc Guarulhos (SP) para compartilhar mais sobre o trabalho que faz com o artesanato para pessoas com mais de 50 anos. "Hoje, o pessoal me conhece como a drag queen crocheteira. E essa visibilidade, esse reconhecimento me faz querer continuar ainda mais", celebra. "Eu fui preparado com um roteiro para chegar e falar um pouco sobre a minha história. Cheguei lá e 'caiu por terra', porque eles começaram a perguntar. Foi um projeto bem interessante. A drag queen crocheteira está me dando muita visibilidade, é muito gratificante", completa. Victor Hugo recebeu o convite para um bate-papo no Sesc Guarulhos (SP) Victor Hugo/Arquivo pessoal Caçula de três filhos, Victor é natural de Mirante do Paranapanema, cidade no extremo oeste paulista, com aproximadamente 16 mil habitantes, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "Graças a Deus tive e tenho uma família muito apoiadora, que, em todas as minhas opiniões, todas as minhas decisões, me incentivou", afirma. O pai de Victor era policial militar, e o artesão chegou a temer que ele pudesse se opor ao filho por ele ser gay e drag queen. "Pensei: 'Será que eu conto? Qual vai ser a reação dele?'. Até que eu e minha mãe resolvemos contar. Ele [o pai] falou: 'Tudo bem, você é meu filho, te amo do mesmo jeito, você vai ter o meu total apoio. Só não quero você fazendo coisas erradas'. Isso, para mim, foi um alívio; muita gente não tem isso, esse apoio familiar." Victor também destaca a importância de pessoas da comunidade LGBT ocuparem espaços que, em geral, são dominados por pessoas heterossexuais. "Nos anos 2000, os LGBT's na mídia eram tratados como chacota. Hoje a gente vê eles ganharem mais notoriedade, nas novelas, tendo papéis importantes, cargos importantíssimos, seja na política, na saúde... cantoras dominando os palcos", cita. "Acho que essa é a importância de a gente mostrar para o mundo, principalmente na cidade onde a gente reside. Isso tem muito peso, é muito importante para as pessoas saberem quem nós somos, que a gente é igual a todo mundo", finaliza. Victor Hugo de Souza Santos, morador de Presidente Prudente (SP), é conhecido como drag queen crocheteira Victor Hugo/Arquivo pessoal Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM
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