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    Dono de postos que abasteceram carros da campanha de Castro foi alvo da PF, que apura ligação com ex-governador e Bacellar

    9 hours ago

    O empresário Fernando Trabach Gomes foi um dos alvos dos mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal na quinta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta quinta-feira (2) por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O g1 apurou que as buscas têm como objetivo esclarecer as ligações de Trabach com o ex-governador Cláudio Castro e com o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Rodrigo Bacellar. Em 2022, durante a campanha à reeleição de Cláudio Castro, postos de combustíveis pertencentes a Trabach abasteceram a maior parte da frota utilizada pelo então candidato ao governo do estado. A prestação de contas apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que a campanha gastou R$ 478 mil na compra de cerca de 70 mil litros de diesel. Dez dos 12 postos que forneceram o combustível pertenciam ao empresário. Os pagamentos foram feitos em 12 transferências de R$ 39,9 mil cada. Investigado pelo MP é dono de 10 dos 12 postos de gasolina que abasteceram os carros de Cláudio Castro na campanha Após a posse de Castro, empresas ligadas a Trabach passaram a firmar contratos com o Governo do Estado. O empresário também já foi investigado pelo Ministério Público do Rio por suspeita de integrar uma organização criminosa. Na ocasião, sua defesa era feita pelo então advogado Rodrigo Bacellar. Ao g1, a defesa de Trabach informou que só vai se manifestar após ter acesso aos autos da investigação. O empresário Fernando Trabach Reprodução Unha e Carne Nesta quinta fase da Operação Unha e Carne, Alexandre de Moraes determinou três mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão. Entre os alvos das buscas estão o ex-deputado Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, o empresário Fernando Trabach e Bernardo Coutinho, sobrinho do contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho. Segundo a Polícia Federal, Bernardo é suspeito de ter assumido parte dos negócios do tio enquanto ele estava preso em um presídio federal. Bernardo já havia sido preso em novembro de 2022 na Operação Smoke Free. As investigações apontam que esta etapa busca aprofundar a apuração sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro liderado por Adilsinho e possíveis ramificações junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Rio de Janeiro. A PF também investiga suspeitas de pagamentos do jogo do bicho e da chamada "Máfia do Cigarro" a agentes públicos, além de possíveis doações eleitorais realizadas pelo grupo. Bernardo Coutinho, sobrinho de Adilsinho, foi alvo de busca pela PF Reprodução Segundo a corporação, a operação pretende aprofundar "a apuração de indícios de lavagem de dinheiro praticada pelo 'capo' da nova cúpula do jogo do bicho e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do RJ". Moraes ainda determinou o sequestro de bens e valores de até R$ 22 milhões e a transferência de Adilsinho para um presídio federal. Planilhas de Adilsinho Márcio Poncio, Adilsinho e Rodrigo Bacellar Reprodução A quinta fase da Operação Unha e Carne é um desdobramento da Operação Fumus, deflagrada em junho de 2021 para investigar o monopólio da venda de cigarros no Grande Rio. Na ocasião, a Polícia Federal apreendeu planilhas com registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações financeiras relacionadas à lavagem de dinheiro. Segundo a investigação, os documentos chamaram a atenção por indicarem possíveis repasses de recursos a agentes políticos fluminenses. A TV Globo apurou que ao menos 20 políticos são investigados por suspeita de receber pagamentos mensais de Adilsinho. Em abril deste ano, o ministro Gilmar Mendes afirmou ter ouvido de um diretor da Polícia Federal relatos de que mais de 30 deputados estaduais do Rio receberiam mesadas do jogo do bicho. O ministro não informou quando ocorreu a conversa, nem identificou o diretor-geral citado ou os parlamentares mencionados. O que dizem os citados Nota de Adilsinho: “A defesa do empresário Adilson Oliveira Coutinho Filho rechaça a alegação de pagamento de vantagens indevidas a políticos ou agentes públicos. A defesa confia no Poder Judiciário e no devido processo legal.” Nota de Rodrigo Bacellar: Em nota, os advogados Daniel Bialski, Felipe de Carvalho, Marcus Crissiuma e Gustavo Ribeiro que defendem Rodrigo Bacellar se pronunciaram: "A defesa de Rodrigo da Silva Bacellar, em razão da deflagração da 5ª fase da Operação Unha e Carne, nega que seu constituído tenha atuado, de qualquer forma, para inibir ou embaraçar qualquer investigação, direta ou indiretamente, ou para proteger e beneficiar organizações criminosas e seus integrantes. Reitera-se que, conforme extensa documentação acostada aos autos próprios, está cabalmente demonstrado que Rodrigo da Silva Bacellar não possui mínima vinculação com os fatos apurados, sendo certo que a instrução probatória apoiará as conclusões defensivas e comprovará aquilo que há muito é bradado. Por fim, coloque-se que Rodrigo da Silva Bacellar pautou e pauta sua atividade política e atuação como agente público na legalidade, na impessoalidade e, principalmente, no firme combate à criminalidade organizada no Estado do Rio de Janeiro, de modo que qualquer acusação em sentido contrário se trata da mais absoluta inverdade." Confira a íntegra da nota da defesa de Castro: "A defesa do ex-governador Cláudio Castro afirma que é mentirosa qualquer ilação de que ele tenha recebido pagamento, doação ilegal, vantagem indevida ou qualquer repasse de recursos atribuído a Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho. A simples citação de um nome em lista ou anotação produzida por terceiro não comprova recebimento de valores, irregularidade eleitoral ou prática de qualquer ato ilícito. A campanha de 2022 de Cláudio Castro foi regularmente declarada à Justiça Eleitoral, com prestação de contas apresentada e analisada nos termos da legislação. Cláudio Castro não é alvo da operação mencionada e não há imputação formal contra ele relacionada aos fatos noticiados. A defesa reafirma que o ex-governador sempre esteve à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários." Claudio Castro (PL) Fernando Frazão/Agência Brasil
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