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    Diretor do Saae assume que autarquia coletou e transportou esgoto para jogar no Rio Sorocaba em área do Parque São Bento

    há 18 horas

    Sistema canalizado despeja esgoto sem tratamento no Rio Sorocaba, no Parque São Bento Marcel Scinocca/g1 O Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Sorocaba (Saae) assumiu ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) que canalizou, isto é, coletou e transportou esgoto para jogar no Rio Sorocaba. A situação ocorreu no Parque São Bento. As informações estão na portaria do inquérito civil que trata do caso revelado pelo g1 em fevereiro deste ano. De forma irregular, o esgoto sem tratamento de centenas de casas são lançados diariamente no rio. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp O documento, ao qual o g1 e a TV TEM tiveram acesso, mostra as afirmações feitas pelo diretor do Saae, Glauco Fogaça. Em uma reunião no MP, ele afirma que o local citado pela reportagem se trata de área de ocupação irregular, e que é do conhecimento da autarquia de saneamento a existência de um "poço de visita" e um encanamento desembocando no leito do rio, instalados pelo próprio Saae. Sistema canalizado despeja esgoto in natura no Rio Sorocaba Ainda conforme o documento, na mesma reunião, a autarquia municipal alegou que um procedimento licitatório para contratação dos projetos executivos de duas estações elevatórias de esgoto no local está em andamento. O inquérito também considera um relatório apresentado pelo Saae confirmando a implantação, ainda em 2024, de 448 metros de rede e ramais de esgoto no local, porém com despejo in natura no corpo do Rio Sorocaba, sem nenhum tratamento. Para abrir o procedimento, a promotoria aponta que o descarte e o derramamento irregular de esgoto no Rio Sorocaba ocorrem em Área de Preservação Permanente (APP), em trecho associado a núcleo urbano informal possivelmente consolidado, bem como a suposta existência de equipamentos irregulares supostamente instalados e/ou operados pelo Saae. O MP cita a questão de impactos potenciais à qualidade da água, à biota aquática (seres vivos que habitam ecossistemas aquáticos), ao equilíbrio do ecossistema e à saúde pública. LEIA TAMBÉM: Ex-funcionários de agência financeira são presos suspeitos de aplicar golpes em idosos e desviar R$ 100 mil em Jundiaí Sorocaba cria grupo de estudo para atender o Estatuto dos Direitos do Paciente; veja o que pode ser exigido com nova lei Mãe de menino com doença rara faz apelo em Brasília por remédio de R$ 17 milhões: 'Só queremos o nosso direito' A Promotoria Regional do Meio Ambiente cita a necessidade de esclarecer a dinâmica dos lançamentos, a regularidade operacional do sistema de esgotamento sanitário, o cumprimento de licenciamento e autorizações, a participação ou eventual omissão do município e do Saae Sorocaba, bem como a delimitação da relação de causa e efeito e a extensão dos danos ambientais causados pela situação. A investigação tem como objetivo apurar eventual responsabilidade civil pelos fatos do despejo de esgoto irregular no Rio Sorocaba em área de APP e a eventual instalação e operação de equipamentos irregulares pelo Saae Sorocaba. O que diz o Saae Em nota, o Saae afirmou que fez diagnóstico técnico e iniciou um processo para a contratação de um projeto executivo para futuras intervenções no local, incluindo a implantação de redes e estações elevatórias de esgoto. A autarquia não deu prazo para os trabalhos, mas disse que a previsão é que as medidas emergenciais sejam adotadas assim que a licitação for concluída. Disse ainda que realiza vistorias diárias nas redes coletoras de esgoto e, se verificada irregularidade, é acionada equipe de fiscais para coletar e analisar o material, identificar a causa e adotar as devidas providências, que variam caso a caso, com possibilidade de multa. O Saae Sorocaba informou que mantém canais de atendimento para que os usuários denunciem, inclusive, possível caso de descarte irregular ou vazamento de esgoto. O contato é pelos telefones 0800-770-1195 (ligação gratuita) e (15) 3224-5800, além do e-mail fale@saaesorocaba.sp.gov.br ou presencialmente nos postos de atendimento nas Casas do Cidadão e na Central de Atendimento do Saae Sorocaba, que fica no Pátio Cianê Shopping. Autuação A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) informou nesta quarta-feira (20) que, após vistoria recente, autuou novamente o Saae por extravasamento irregular de efluentes, com exigência de apresentação de plano e cronograma para a correção do problema. A data da autuação não foi informada. Sobre o caso O esgoto de centenas de casas no Parque São Bento, na zona norte de Sorocaba está sendo lançado sem tratamento diretamente no Rio Sorocaba. A situação acontece há pelo menos três anos na área conhecida como Chácara do Mineiro, apesar de o bairro ficar ao lado de duas estações de tratamento de esgoto. Em fevereiro, a reportagem do g1 esteve no local e flagrou o despejo de esgoto in natura no rio. O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) informou que faria vistorias e tomaria providências caso o problema seja confirmado. Um dos pontos de despejo ilegal fica perto da Rua 21, onde a reportagem confirmou, tanto em dezembro do ano passado como no início deste ano, que milhares de litros de esgoto são lançados por dia. Nesse trecho, a tubulação que conduz o esgoto está a cerca de 20 metros da rua. No total, existem ao menos oito locais de descarte na região. Em alguns trechos, a tubulação fica submersa ou escondida pela mata, o que dificulta a visualização. Para evitar que o esgoto retorne para as casas em caso de entupimento, foram construídos extravasores ao longo do bairro. Esses dispositivos de concreto funcionam como uma válvula de escape: quando a rede entope, o esgoto é despejado na mata e escorre para o Rio Sorocaba, também sem tratamento. No entanto, segundo um funcionário do Saae, que não quis se identificar, a medida é ineficaz. Ele explica que, como o esgoto da região já é descartado diretamente no rio, os extravasores não resolvem o problema principal e apenas mascaram o crime ambiental. Esses extravasores foram construídos no fim de várias ruas do bairro, a cerca de 20 metros do rio. A reportagem flagrou a existência de pelo menos seis desses dispositivos. O trecho do Rio Sorocaba fica no extremo norte da cidade, e não é responsável pelo abastecimento de bairros de Sorocaba, já que os pontos de captação de água ficam acima do rio. Com 180 quilômetros de extensão em linha reta, o manancial é o principal afluente da margem esquerda do Rio Tietê. Nasce na Serra de São Francisco, em Ibiúna, e é formado por três rios: Sorocabuçu e Sorocamirim e Uba, que se juntam com outras pequenas nascentes até o primeiro represamento, na Represa de Itupararanga, em Votorantim (SP). O rio corta as cidades de Iperó, Tatuí, Boituva, Cerquilho, Jumirim e deságua no Rio Tietê, em Laranjal Paulista (SP). Duas estações Despejo de esgoto sem tratamento em rio ocorre próximo de duas estações de tratamento de Sorocaba (SP) Google Maps/Reprodução Segundo outro funcionário da autarquia, o problema é técnico. A região da Chácara do Mineiro é muito baixa, e o esgoto não consegue chegar por gravidade até as Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) Itanguá ou Pitico, que ficam próximas. Ele afirma que a solução seria instalar uma estação elevatória para bombear os dejetos, mas isso não foi feito. “Assim, a alternativa foi direcionar o esgoto ao rio. Ou seja, o Saae optou por canalizar os dejetos das residências, cobrar pelo serviço e despejar na margem”, acrescenta o funcionário. Vale destacar que essa situação ocorre após o ponto de captação de água para tratamento, localizado na região do bairro Vitória Régia. Sistema canalizado despeja esgoto sem tratamento no Rio Sorocaba, no Parque São Bento Marcel Scinocca/g1 Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM m
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