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    'Deus está no negócio mesmo': traficante cita pregação de pastor ao falar sobre apreensão de carga de drogas

    6 hours ago

    Celular roubado desvenda rede milionária do tráfico Áudios obtidos pela polícia mostram que Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, apontado pela investigação como o traficante conhecido pelos apelidos de "Gordão" e "Boss", relacionou a apreensão de uma carga de drogas a uma pregação religiosa que havia recebido anteriormente. As conversas fazem parte do material analisado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro. Em um dos diálogos recuperados pelos investigadores, "Boss" conversa com um pastor e relembra uma pregação que, segundo ele, falava sobre pessoas que estariam tramando uma conspiração para prejudicá-lo. O pastor afirma que a mensagem mencionava uma "cilada" e uma tentativa de destruição que teria sido impedida por intervenção divina. "Você lembra aquela revelação que tinha pessoas armando, tinha pessoas tramando?", pergunta Boss. O pastor responde: "A pregação foi falando que estava armando uma cilada, conspiração, tudo para tentar destruir, só que Deus estava quebrando tudo." Na sequência, Boss associa a prisão de um motorista e a perda de uma carga de drogas ao que interpretou como um possível "sinal" de proteção divina. "Meu motorista foi preso, meu flat caiu, um milhão para mim saiu barato", afirma. Na conversa, o suspeito demonstra acreditar que o prejuízo financeiro teria representado um "livramento" diante de algo que poderia ter sido ainda pior. O pastor, então, responde: "Isso não é nada, isso é só para você saber que Deus está no negócio mesmo, tem que ter um sinal." As gravações fazem parte de uma investigação que aponta Laércio Isidoro do Nascimento Júnior como um importante fornecedor de drogas para facções criminosas. Segundo a polícia, ele atuava como intermediário entre grandes fornecedores e lideranças do tráfico no Rio de Janeiro e em outros estados. 'Boss do tráfico': como roubo de celular de criminoso ajudou polícia a descobrir rede ligada ao Comando Vermelho Em uma conversa obtida por investigadores, Laércio relaciona apreensão de carga de drogas a pregação feita por pastor Reprodução/TV Globo Investigação levou à prisão Nesta semana, Boss foi preso em uma operação realizada pelo Ministério Público e pela Polícia Civil do Rio. Ele foi localizado em uma cobertura em Maceió. Ao todo, seis pessoas foram presas durante a ação, que cumpriu mandados em quatro estados. De acordo com os investigadores, a análise de celulares, áudios e arquivos armazenados na nuvem ajudou a detalhar o funcionamento do esquema atribuído ao homem conhecido como "Boss". Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, o "Boss", é apontado pela Polícia como um "fornecedor de fornecedores" de drogas Reprodução/TV Globo 'Fornecedor de fornecedores' Uma das conversas é com Anderson Sant’Anna da Silva, conhecido como "Gão" e apontado pela investigação como chefe do tráfico de uma favela na Zona Norte do Rio. No diálogo, "Gão" trata do tamanho do mercado que poderia ser abastecido por "Boss". "Tem várias favelas que nós podemos entregar. Nós temos em 355 favelas do Comando Vermelho", afirmou. A polícia ainda não sabe quanto droga Laércio movimentou, mas uma apreensão deu uma dimensão do volume do negócio. Em fevereiro de 2024, a Polícia Civil de São Paulo investigava um galpão em Guarulhos quando parou um caminhão e encontrou cocaína e maconha escondidos nos tanques de combustível. Ao todo, foram apreendidos mais de 715 quilos de drogas. Meses depois, quando investigadores do Rio identificaram Laércio como "Boss", cruzaram conversas e os pagamentos encontrados na investigação com os dados da apreensão em Guarulhos. A conclusão foi de que a carga pertencia a ele. O procedimento deverá ser encaminhado ao Ministério Público de São Paulo para uma denúncia sobre o tráfico de drogas. Prisão em Maceió Mas a investigação avançou até chegar ao próprio Laércio, preso nesta semana em uma cobertura em Maceió durante uma operação contra o grupo que, segundo as investigações, fornecia drogas para o Comando Vermelho. Laércio é acusado de associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Outras cinco pessoas também foram presas na operação que cumpriu mandados em quatro estados. No apartamento de Laércio, os policiais encontraram uma mala com cerca de R$ 100 mil, além de roupas, acessórios e tênis de marcas famosas. Laércio foi preso em uma cobertura em Maceió Reprodução/TV Globo A investigação também descobriu que ele tinha outros imóveis em endereços nobres em Maceió, no Rio de Janeiro e em São Paulo. O secretário da Polícia Civil do Rio, Delmir Gouveia, disse que Laércio atuava como um fornecedor de emergencial para o tráfico e movimentou R$ 70 milhões no período analisado pela investigação. "Ele era um fornecedor de fornecedores. Quando os fornecedores de drogas das facções do Rio e São Paulo tinham algum problema logístico, recorriam a ele para suprir aquela demanda naquele momento", disse Gouveia.
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