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    Conheça a cidade chinesa com prédios que criam ilusão de ótica

    há 7 horas

    Conheça a cidade chinesa com prédios que criam ilusão de ótica Quem chega a Chongqing, na China, pode ter a sensação de estar dentro de uma enorme ilusão de ótica. Em uma mesma região, prédios se conectam por pontes, escadas aparecem em diferentes níveis e o que parece ser uma praça no térreo pode, na verdade, estar no alto de um edifício. Em um dos pontos visitados, uma ponte dá acesso ao topo de um prédio de 22 andares. A partir dali, é possível seguir para outro edifício, encontrar jardins, lojas e até observar o rio Yangtze. A cidade parece desafiar a lógica de quem está acostumado a imaginar ruas sempre no nível do chão. Uma cidade construída em vários níveis A explicação para esse cenário está, em parte, na própria geografia de Chongqing. A metrópole foi construída em uma área montanhosa, onde encontrar terrenos planos para abrigar uma população crescente se tornou um desafio. Por isso, a cidade passou a ocupar diferentes níveis do terreno. Viadutos e passarelas funcionam como caminhos para pedestres, enquanto prédios são erguidos aproveitando os desníveis das montanhas. Em um dos conjuntos mostrados no arquivo, há torres com 24 andares e sem elevador. Para chegar às moradias, os moradores precisam enfrentar longos lances de escada. O resultado é uma paisagem em que a definição de “térreo” muda dependendo do ponto onde a pessoa está. Escadas fazem parte da rotina Para quem visita a cidade, a quantidade de escadas pode parecer uma das características mais impressionantes. Para quem mora ali, porém, elas fazem parte da rotina. Em alguns prédios, é possível encontrar comércio, farmácias, supermercados e vendedores ambulantes espalhados pelos diferentes níveis. Há também estruturas para facilitar a circulação de moradores e visitantes. Um dos exemplos é um sistema de baterias que permite ao visitante retirar uma unidade usando um código de barras para carregar o celular enquanto passeia pela cidade. A circulação também é influenciada pelo turismo. Em determinados espaços, moradores têm acesso a áreas que não são permitidas aos visitantes, que precisam seguir por caminhos específicos. Prédios que parecem desafiar a gravidade A arquitetura de Chongqing produz algumas das imagens mais inusitadas da cidade. Em um dos locais visitados, um prédio parece estar deitado sobre outras duas construções. A estrutura, descrita como semelhante a um enorme tubo, abriga árvores e um piso de vidro. O local fica a cerca de 250 metros de altura. A impressão de que os edifícios estão “flutuando” ou ocupando posições impossíveis é reforçada pela maneira como as construções acompanham o relevo. Segundo um urbanista ouvido no material, a arquitetura de alguns desses projetos buscou justamente aproveitar as características do terreno, alternando áreas abertas e fechadas e criando espaços voltados para as montanhas e para a água. Antes dos arranha-céus, havia carregadores A paisagem atual esconde uma história muito mais recente do que pode parecer. O prédio conhecido como “Elefante Branco”, por exemplo, foi concluído em 1992 e começou a funcionar no ano seguinte, ainda durante uma fase inicial de urbanização da região. O projeto fazia parte de um processo de renovação urbana que exigiu a demolição e a realocação de moradias antigas. Antes da verticalização, a montanha onde o edifício foi construído era utilizada por trabalhadores que carregavam carvão nas costas e o lavavam às margens do rio antes da venda. Alguns moradores vieram do campo e dependiam desse tipo de trabalho para sobreviver. As cargas eram transportadas pelas escadas, muitas vezes usando bastões apoiados nos ombros. A transformação da região, portanto, não foi apenas arquitetônica. Ela mudou também a forma como as pessoas trabalhavam e ocupavam aquele espaço. Do boom imobiliário à cris A verticalização de Chongqing também está ligada ao boom imobiliário chinês. Com a expansão da cidade, muitos moradores conseguiram comprar apartamentos a preços considerados acessíveis. O síndico de um dos edifícios apresentados no material é um exemplo dessa transformação: ele trabalhou como recepcionista em uma autoescola e, ao longo de 30 anos, comprou seis apartamentos Mas o cenário mudou. A China enfrenta uma crise imobiliária, com queda nos preços dos imóveis, excesso de apartamentos construídos e redução dos empregos ligados à construção civil. Algumas cidades planejadas para receber milhões de pessoas chegaram a se transformar em áreas pouco ocupadas. Chongqing também foi afetada por esse cenário. Uma cidade dentro de outra Em meio às montanhas, a cidade criou uma forma própria de crescer. Um dos conjuntos apresentados reúne seis edifícios onde vivem cerca de 500 famílias. A estrutura funciona quase como uma pequena comunidade vertical, com diferentes caminhos e níveis conectados entre si. A transformação foi gigantesca. Segundo o material, Chongqing passou de cerca de 3 milhões para 30 milhões de habitantes em poucas décadas. O crescimento obrigou a cidade a encontrar novas maneiras de ocupar o espaço — não apenas para os lados, mas também para cima e para baixo. Em Chongqing, uma rua pode estar sobre um prédio. Uma ponte pode funcionar como calçada. O “térreo” pode ser o 22º andar. E uma escada pode ser, simplesmente, o caminho de casa. É essa combinação entre montanhas, urbanização acelerada e arquitetura que faz da metrópole chinesa uma cidade em que, literalmente, é preciso repensar onde começa e termina o chão. Conheça a cidade chinesa com prédios que criam ilusão de ótica Reprodução/TV Globo GloboPop: clique para ver os vídeos do palco do Fantástico Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo.
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