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    Como enfrentar o etarismo no consultório

    1 month ago

    Entenda o que é etarismo Na coluna de domingo, escrevi sobre quando o etarismo acontece dentro do consultório, um local que deveria ser de acolhimento. Abordei dois casos de mulheres mais velhas cuja atividade sexual foi ignorada ou até considerada inapropriada, mas o preconceito não se limita à sexualidade. Conforme vamos envelhecendo, é como se nossa voz deixasse, paulatinamente, de ser ouvida. E o que dizemos chega a ser descartado, desqualificado. O roteiro é conhecido (principalmente quando se é mulher): você nota algo em seu corpo, pesquisa a respeito e prepara uma série de perguntas. No entanto, seu médico intervém em minutos com frases como: “Isso é apenas o envelhecimento normal”. Ou: “Eu não me preocuparia com isso”. Etarismo no consultório: reflita se está sendo tratado com o devido respeito Max para Pixabay Muitas pessoas se sentem envergonhadas (“Eu não deveria ter perguntado”) e até com vontade de se desculpar (“Não sei do que estou falando”), mas não há nada de errado em se manifestar. Ser ignorado por um médico não é apenas frustrante – é desestabilizador. O cenário é ainda mais complexo para as mulheres, educadas para ceder. Espera-se que sejamos “boas pacientes”, o que, geralmente, significa silêncio e concordância. Em primeiro lugar, tente buscar seu ponto de equilíbrio. Respire e se lembre de que não está em perigo, e sim em um momento de desconforto. É importante registrar que a maioria dos médicos que atendem na rede pública ou para planos de saúde trabalha em um sistema que lhes dá cerca de 15 minutos por paciente. Mesmo assim, cada vez que você faz uma pergunta que é desconsiderada e, em vez de desistir, insiste que gostaria de entender melhor, está recuperando sua voz. Para facilitar sua vida, prepare-se antes de qualquer consulta: Escreva suas dúvidas e preocupações. É menos provável que você seja ignorado se estiver organizado. Use frases que convidem à explicação, como: “Isso é relevante para mim”; ou: “Você pode me ajudar a compreender melhor?”. Busque profissionais que escutem: reflita se está sendo tratado com o devido respeito. Se a escuta for inexistente, pense em procurar outro médico ou tentar adicionar especialistas à sua equipe. Confie na sua experiência: você habita seu corpo há décadas e esse conhecimento vale muito.
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