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    Comandante de lancha que naufragou no Encontro das Águas vai a júri popular e deixa prisão no AM

    9 hours ago

    Comandante da embarcação que naufragou em Manaus foi encaminhado à Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros Rede Amazônica Pedro José da Silva Gama, condutor da lancha que naufragou em fevereiro na região do Encontro das Águas, em Manaus, vai a júri popular pela morte de três pessoas. A decisão é do juiz Fábio Lopes Alfaia, da 2ª Vara do Tribunal do Júri de Manaus. Na mesma decisão, o magistrado revogou a prisão preventiva de Pedro, que vai responder ao processo em liberdade e será monitorado por tornozeleira eletrônica. O naufrágio aconteceu em 13 de fevereiro de 2026, por volta das 14h. A embarcação havia saído do Porto da Manaus Moderna com destino a Nova Olinda do Norte. O acidente deixou três pessoas mortas, cinco desaparecidos e 71 sobreviventes foram resgatados. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Segundo a decisão de pronúncia, publicada na última quinta-feira (24), há materialidade do crime e indícios suficientes de que Pedro foi o autor dos delitos. Com isso, ele será julgado por três homicídios simples, em concurso formal. Piloto da lancha que naufragou no Encontro das Águas se entrega à polícia A decisão, no entanto, retirou as qualificadoras apontadas pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM), relacionadas a motivo fútil, perigo comum e recurso que teria dificultado a defesa das vítimas. A definição sobre se Pedro agiu com dolo eventual ou culpa consciente ficará para o Tribunal do Júri. Solto com tornozeleira Ao revogar a prisão preventiva, o juiz considerou que não havia mais fundamentos para manter Pedro preso durante o processo. Segundo a decisão, a prisão preventiva não pode ser usada como antecipação da pena. Pedro deverá cumprir medidas cautelares, entre elas o monitoramento eletrônico. Ele também está proibido de manter contato, por qualquer meio, com familiares das vítimas e com testemunhas ouvidas durante a investigação e a fase inicial do processo. Prisão de comandante Pedro Gama se entregou à polícia na noite de 16 de março, depois de passar pouco mais de um mês foragido. Ele se apresentou na Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), onde permaneceu preso. No dia do acidente, o piloto chegou a ser detido e levado inicialmente ao 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP). Após a confirmação das mortes, foi encaminhado à Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), mas acabou liberado após pagar fiança. No dia seguinte, 14 de fevereiro, a juíza Eliane Gurgel do Amaral Pinto determinou a prisão preventiva de Pedro. A decisão teve como objetivo garantir a ordem pública e assegurar a aplicação da lei penal. O naufrágio Passageiros ficam à deriva após embarcação naufragar no Encontro das Águas em Manaus Reprodução/Redes Sociais A lancha, da empresa Lima de Abreu Navegações, saiu de Manaus por volta das 12h30. Durante a viagem, a embarcação naufragou nas proximidades do Encontro das Águas, região onde os rios Negro e Solimões se encontram. Vídeos gravados por passageiros mostram pessoas, incluindo crianças, à deriva na água, muitas usando coletes salva-vidas ou apoiadas em botes enquanto aguardavam socorro. As causas do acidente não foram divulgadas oficialmente e seguem sob investigação. Logo após o acidente, parte dos passageiros foi socorrida por embarcações que navegavam pela região. Em seguida, uma operação de resgate foi montada. Um dos episódios que mais chamou atenção durante o resgate foi o salvamento de um bebê prematuro de apenas cinco dias de vida colocado dentro de um cooler. Para evitar que o recém-nascido tivesse contato direto com a água, familiares colocaram a criança dentro do recipiente, que ficou à deriva até ser encontrado por equipes de resgate. A mãe do bebê, que havia viajado a Manaus para dar à luz, também foi salva. Ambos foram levados para atendimento médico. Testemunhas também relataram momentos de tensão antes do naufrágio. Uma passageira afirmou que chegou a alertar o piloto da lancha para reduzir a velocidade por causa do banzeiro, ondas fortes comuns na região do Encontro das Águas. Em um vídeo gravado enquanto estava à deriva, ela relatou que havia pedido para o condutor "ir devagar". Assista abaixo: Passageira de barco que naufragou no Encontro das Águas em Manaus grava vídeo à deriva Quem são as vítimas Entre as vítimas estão Samila de Souza, de 3 anos, Lara Bianca, de 22 anos e Fernando Grandêz, de 39 anos. Os corpos Samila e Lara foram encontrados horas após o naufrágio. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas, Samila chegou a ser levada ao Pronto-Socorro da Criança da Zona Leste, mas já estava sem vida quando deu entrada na unidade. Ao g1, familiares de Samila informaram que ela havia viajado para Manaus pela primeira vez e retornava para Urucurituba, cidade onde a lancha faria uma parada. Lara Bianca era natural de Nova Olinda do Norte e estudava odontologia em Manaus. Segundo amigos, ela estava prestes a terminar a graduação. O corpo dela foi resgatado e levado ao pelotão fluvial do Corpo de Bombeiros, no Porto de Manaus, e depois encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML). Já o cantor gospel Fernando Grandêz, de 39 anos, teve o corpo encontrado três dias após o naufrágio durante os trabalhos de busca na região. Ligado à música gospel, Fernando era cantor e costumava participar de eventos religiosos realizados na capital amazonense. As apresentações eram compartilhadas nas redes sociais, quase sempre acompanhadas de legendas onde expressava a fé. Buscas suspensas Em 8 de julho, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) suspendeu as buscas pelos cinco desaparecidos após quase cinco meses de operação. Segundo a corporação, a decisão foi tomada após o esgotamento das possibilidades de localizar as vítimas. As buscas começaram no dia do acidente e contaram com drones, embarcações e equipamentos de sonar para fazer a leitura do leito do rio. Os familiares dos desaparecidos também acompanharam o trabalho das equipes ao longo das buscas. Na ocasião, o CBMAM informou ainda que a corporação permaneceria em sobreaviso e poderia retomar a operação caso surgissem indícios que auxiliassem na localização dos desaparecidos. Além disso, familiares de três desaparecidos solicitaram o boletim de ocorrência da corporação. Segundo o CBMAM, o documento, registrado no Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), é o primeiro passo para dar entrada no pedido de morte presumida na Justiça. INFOGRÁFICO - Naufrágio em Manaus g1
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