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    Clima, custos e mercado desafiam a produção agrícola no Tocantins

    há 2 meses

    A combinação entre instabilidade climática, alta nos custos de produção e pressão nos preços de comercialização tem imposto um dos cenários mais desafiadores dos últimos anos para os produtores rurais do Tocantins. Ainda assim, o campo segue ativo, refletindo a resiliência do setor e a economia que sustenta o país. O clima tem sido um dos principais fatores de impacto na primeira e segunda safra. Em diferentes regiões do estado, o excesso de chuvas prejudicou o ritmo da colheita, dificultado operações no campo e comprometido a logística de escoamento, com efeitos diretos sobre os custos. Colheita da soja no Tocantins evidencia o ritmo do campo, mesmo diante dos desafios climáticos e operacionais enfrentados ao longo da safra. Arquivo Pessoal Ao mesmo tempo, o cenário de mercado mantém as margens pressionadas. Os insumos permanecem em patamares elevados, enquanto os preços das commodities não acompanham esse movimento, exigindo maior eficiência na gestão da atividade. Na prática, esse contexto influencia diretamente o planejamento das propriedades. Para o produtor associado da Aprosoja Tocantins, Gilberto Sandoval Jr, a continuidade da produção está ligada a uma estrutura consolidada ao longo dos anos. “Não é uma atividade que permite parar de um ano para o outro. Existe todo um planejamento de médio e longo prazo, com investimentos em terra, máquinas, estrutura e equipe”, afirma. Segundo ele, além do capital imobilizado, há compromissos financeiros e operacionais que sustentam a decisão de seguir produzindo. “O produtor tem obrigações com bancos, tradings, contratos de arrendamento e também com sua equipe. Muitas vezes, continuar produzindo, mesmo com margem reduzida, é mais viável do que interromper a atividade”, explica. Diante desse cenário, a estratégia tem sido ajustar a condução da safra. É o que explica o Prof. Rodrigo da empresa Agro Financeira. “O produtor precisa ser cada vez mais eficiente, buscar melhores momentos de compra e venda e fazer ajustes constantes dentro da porteira para manter a operação”, destaca. O professor Rodrigo Gomes, especialista em finanças do agronegócio, durante participação no Global Grain, maior evento mundial do setor de grãos. Arquivo Pessoal A pressão sobre os custos é um dos principais desafios. Insumos como fertilizantes, defensivos e combustíveis seguem impactados por fatores externos, o que eleva significativamente o custo de produção. “Hoje, em muitos casos, o produtor planta sabendo que pode apenas empatar ou até operar no prejuízo”, pontua o prof. Rodrigo. A escolha das culturas também segue critérios técnicos e de mercado. A soja continua sendo a principal opção por ser uma commodity com demanda consolidada e maior liquidez. Outras culturas podem representar riscos maiores dependendo da região. Apesar das dificuldades, a decisão de continuar vai além da questão financeira. “Existe um componente familiar, histórico e de propósito. São gerações envolvidas na atividade e muitas pessoas que dependem dela. O produtor não enxerga simplesmente a possibilidade de parar”, ressalta o prof. Rodrigo. Do ponto de vista técnico, a lógica econômica reforça essa continuidade. A atividade é altamente intensiva em capital e dependente de fluxo contínuo. “O agronegócio trabalha com ciclos longos e elevados investimentos. Interromper a produção pode gerar um impacto financeiro ainda maior do que operar com margens reduzidas”, explica. O especialista compara a dinâmica da atividade a um sistema que não pode parar. “É como uma empresa que depende de fluxo de caixa constante. Se interrompe, compromete toda a estrutura. Muitas vezes, continuar produzindo é o que mantém a operação viável ao longo do tempo”, finaliza o prof. Rodrigo. Para a presidente da Aprosoja Tocantins, Caroline Barcelos, o cenário reforça a necessidade de avanços estruturais para dar mais equilíbrio ao setor. “O produtor está fazendo sua parte, mesmo diante de custos elevados e desafios climáticos. Mas é fundamental avançar em infraestrutura, logística e em condições que garantam mais previsibilidade e isso depende das esferas governamentais. E isso é essencial para a sustentabilidade da atividade no estado”, destaca. O produtor rural Gilberto Sandoval Jr., associado da Aprosoja Tocantins, destaca a continuidade da produção mesmo diante dos desafios da safra. Arquivo Pessoal No Tocantins, onde o agronegócio é um dos pilares da economia, a manutenção da produção, mesmo diante de adversidades, reforça o papel estratégico do produtor rural e sua capacidade de adaptação frente aos desafios do campo.
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