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    Baianas com mesmo nome e CPF têm benefícios bloqueados e não conseguem votar nas eleições

    há 11 horas

    Da direita para a esquerda: Marinalva de Cachoeira e Marinalva de Ipecaetá TV Bahia Duas baianas com o mesmo nome foram registradas com o mesmo CPF em um cartório de Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano. A confusão se arrasta na Justiça há 10 anos e tem causado problemas como o bloqueio de benefícios, cobrança de empréstimos, impedimento do uso de contas bancárias e até mesmo impossibilidade de votar nas eleições. As duas mulheres se chamam Marinalva de Souza Barreto, foram registradas no dia 21 de junho de 1959 e são trabalhadoras rurais. Uma delas mora na zona rural de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, enquanto a outra vive na zona rural de Ipecaetá, a 57 km de Feira de Santana, a segunda maior cidade da Bahia. "Quando tentei me aposentar, falaram que eu já estava aposentada, pensei que fosse erro do INSS, voltei lá mais de uma vez e tive a mesma resposta", afirmou a Marinalva de Cachoeira. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Agora no g1 Além de ter tido a aposentadoria negada, a Marinalva de Cachoeira afirma que já teve o nome negativado por causa de empréstimos que não foram feitos por ela, e o fornecimento de energia suspenso devido a duplicidade de contratos com a mesma empresa. Ela também não consegue enviar ou receber pix, pois a conta foi bloqueada por suspeita de fraude. "Eu também já deixei de votar, porque cheguei na escola e disseram que 'eu' já tinha votado. Agora tenho que ir de manhã bem cedo pra conseguir, mas aí quando eu voto a outra Marinalva não vota", contou. Enquanto isso, a Marinalva de Ipecaetá também enfrenta problemas. Ela afirma que teve o benefício do Bolsa Família cortado devido a suspeita de fraude e que tem dificuldade para acessar o banco. Mulheres têm o mesmo nome e foram registradas com o mesmo CPF TV Bahia Acredita-se que o erro aconteceu durante o registro da Marinalva de Ipecaetá, cerca de cinco anos depois da Marinalva de Cachoeira. Ela, que é analfabeta, conta que foi registrada aos cinco anos e após a morte dos pais. Os problemas relacionados a duplicidade de registro só foram aparecer na vida adulta. "Disseram um nome diferente do que falavam que era o nome da minha mãe, mas achei que era porque os meus pais tinham morrido. Eu era pequena, nunca desconfiei", explicou. A filha de Marinalva de Cachoeira, Silvana Barreto, é advogada e acompanha o caso. Segundo ela, a duplicidade de CPFs foi um erro cometido pelo tabelião do cartório de Santo Antônio de Jesus. "O tabelião, funcionário público da época, literalmente pegou o assento de registro e entregou para Marinalva de Ipecaetá. Assim ela conseguiu fazer os outros documentos e viver", explicou Silvana. Processo foi parar na Justiça há 10 anos Mauro Anchieta/TV Bahia O processo foi parar na Justiça há 10 anos, mas ainda não teve resolução. Durante a apuração, foi constatado que o registro de nascimento em disputa pertence a Marinalva de Cachoeira, porque ela foi registrada primeiro. A Marinalva de Ipecaetá recorreu, mas a Justiça manteve a decisão. O cartório de Santo Antônio e Jesus, onde os registros de certidão de nascimento foram feitos, não cumpriu a decisão da Justiça e não separou as certidões de nascimento das Marinalvas. Em agosto deste ano, a equipe da TV Bahia foi até o órgão e procurou a tabeliã responsável, mas ela não quis dar entrevista. Depois do contato, as certidões de nascimento finalmente foram separadas. Apesar disso, o problema segue na Receita Federal: mesmo após a decisão da Justiça, o órgão suspeitou de fraude e suspendeu a aposentadoria da Marinalva de Ipecaetá e não concedeu a aposentadoria da Marinalva de Cachoeira. Ou seja, as duas mulheres estão sem receber os benefícios quee têm direito. A situação afeta não só as vítimas, mas as famílias. Os filhos das duas Marinalva se sentem aflitos com as preocupações das respectivas mães. "É um pesadelo, se hoje a outra Marinalva morrer, minha mãe também morre, porque é a mesma pessoa", afirmou Júlio Barreto, caçula da Marinalva de Ipecaetá. LEIA TAMBÉM: Bancária demitida por competir em campeonato de fisiculturismo durante licença médica tem justa causa anulada na Bahia Mulher descobre que é 'casada' com o próprio cunhado após emissão de documento na Bahia; entenda Baiano sai da casa do irmão de bicicleta, desaparece e é encontrado quase três anos depois na Costa Rica Adolescente aprende a dirigir com tutorial da internet, furta carro dos pais e viaja para encontrar garota que conheceu no Roblox Veja mais notícias do estado no g1 Bahia Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻
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