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    Alceu Valença, 'eterno menino', chega aos 80 anos sem tirar a capa jovial do 'bicho maluco beleza' na vida e no palco

    13 hours ago

    Alceu Valença faz 80 anos hoje, quarta-feira, 1º de julho, com obra que totaliza 316 composições Leo Aversa / Divulgação ♫ ANÁLISE ♬ Nascido em 1º de julho de 1946 em São Bento do Una (PE), cidade do agreste pernambucano, Alceu Paiva Valença chega hoje aos 80 anos sem tirar na vida e no palco a capa jovial do bicho maluco beleza, personagem-título de música de 1992. Dissociado da letra do frevo folião, o epíteto bicho maluco beleza cai bem em um artista que, pela própria natureza elétrica, desafia a inflexível embolada do tempo ao se tornar octogenário sem perder a energia. É essa energia que caracteriza o cantor e compositor pernambucano no imaginário nacional desde os anos 1970, década que revelou Alceu Valença para o Brasil na corrente migratória que deslocou artistas nordestinos para o eixo Rio-São Paulo em busca de visibilidade em todo o território nacional. Da mesma geração do conterrâneo Geraldo Azevedo (com quem debutou no mercado fonográfico em LP gravado em dupla e editado em 1972) e do paraibano Zé Ramalho, Alceu Valença fez o próprio nome ao criar um som que embala aboios, frevos, maracatus, baiões, xotes e cirandas em alta voltagem, por vezes até com a potência do rock, mas sem fazer rock, como o artista costuma enfatizar em entrevistas. Desde o primeiro álbum solo, “Espelho cristalino”, lançado em 1974, Alceu seguiu rota que abriu portas – inclusive as da psicodelia aplicada à música nordestina – e apontou caminhos para sucessores como o também pernambucano Lenine. Em turnê pelo Brasil desde março com o show “80 girassóis”, criado para celebrar as oito décadas de vida do artista com o retrospecto da obra, o cantador é um discípulo do rei Luiz Gonzaga (1912 – 1989) que encontrou o próprio norte na dinastia nordestino. Alceu Valença é um artista de imagem solar e, sob esse prisma luminoso, o título do show “80 girassóis” se afina com o temperamento vivaz do cantor. Sempre montado no futuro indicativo, Alceu percorreu caminhos que se bifurcaram, partindo de Olinda (PE), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ) ou Lisboa (Portugal), sem jamais deixar de delinear um traço de união entre essas cidades que moldam o particular universo musical e poético do artista. “Sou um eterno menino, me sinto com oitenta ao contrário, oito anos talvez. Ou o oito traçado na horizontal, que é o símbolo do infinito”, poetiza Alceu no texto promocional da turnê que passará novamente pela cidade do Rio de Janeiro (RJ) na sexta-feira, 3 de julho, com apresentação do artista na Fundição Progresso. Alceu Valença consegue ser um nome nacional e, ao mesmo tempo, um símbolo e lenda viva da cultura pernambucana, base e bússola de obra que ecoa aboiadores, cantadores e repentistas, totalizando 316 composições e 839 gravações feitas em 54 anos de carreira fonográfica. Das 316 músicas, “Anunciação” (1983) é a mais tocada e a responsável pela crescente renovação do público do artista. “Tropicana” (Alceu Valença e Vicente Barreto, 1982) e “La belle de jour” (1992) também puxam e engrossam o coro do público nos shows de Alceu Valença, bicho maluco beleza que encara a incessante embolada do tempo, “senhor de rugas e marcas”, com a energia desafiadora daqueles octogenários permanecem eternos meninos. Alceu Valença se considera um 'eterno menino' e celebra os 80 anos de vida com o show da turnê '80 girassóis' Leo Aversa / Divulgação
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